O porta-voz do PSD voltou hoje a insistir, no Algarve, que afinal havia um «consenso» entre o PS e o PSD quanto ao caminho que o Governo está a seguir, embora não fosse assumido «na praça pública».

«Hoje sabemos que aquilo que o Partido Socialista pensa é que tem que fazer o mesmo que nós estamos a fazer e hoje sabemos que o Partido Socialista, se for Governo, fará exatamente o mesmo caminho», disse, sublinhando que, «no íntimo», o PS estava «de acordo» com o Governo, até que alguém «resolveu confessar-se publicamente na televisão».

Marco António Costa falava hoje em Faro durante uma sessão que reuniu militantes, autarcas e candidatos que integraram as listas do partido nas últimas eleições autárquicas, pelo Algarve, no final da qual não quis prestar declarações aos jornalistas.

Durante o seu discurso, elogiou a «franqueza» e a «seriedade» do conselheiro económico do PS Óscar Gaspar por ter reconhecido, numa entrevista transmitida por um canal de televisão, que não será possível repor os salários e as pensões que existiam antes de 2011.

Marco António Costa criticou ainda o secretário-geral do PS, António José Seguro, por ter «fugido como o diabo da cruz de se pronunciar seriamente» sobre as palavras de Óscar Gaspar.

Questionado, num programa televisivo na quarta-feira à noite, sobre se o PS quando for Governo vai repor os salários, pensões e prestações sociais ao nível de 2011, Óscar Gaspar respondeu: «A resposta séria é não. Nem os portugueses imaginariam, nem nunca ouviram do líder do Partido Socialista nenhuma proposta demagógica para voltarmos a 2011 porque não é possível. As contas públicas portuguesas não o permitem».

O coordenador social-democrata aproveitou para aplaudir a adesão do presidente da Junta de Freguesia de Boliqueime, concelho de Loulé, ao partido, formalizada hoje, depois de se ter candidatado como independente nas últimas autárquicas e já ter ganho a freguesia «por outros partidos».