O vice-presidente e porta-voz do PSD, Marco António Costa, afirmou hoje que o seu partido está disponível para prosseguir o diálogo com o PS, se for "um diálogo efetivo" e não "um simulacro de diálogo". Da parte do CDS-PP, Nuno Melo também sublinhou que a coligação não está disponível para "encenações".

Em declarações aos jornalistas, o porta-voz dos sociais-democratas considerou que "é manifesta a indisponibilidade do PS" no processo negocial com PSD e CDS-PP com vista à estabilidade governativa, mas não fechou a porta a novas reuniões com os socialistas, caso estes apresentem "uma contraproposta" concreta, que não seja "um simulacro de contraproposta".

Marco António Costa assumiu esta posição depois de ter sido recebido, juntamente com o secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, pelo primeiro-ministro,  Pedro Passos Coelho, na residência oficial do chefe do Governo, em Lisboa, a propósito da reunião do Conselho Europeu desta quinta-feira.

O porta-voz dos sociais-democratas defendeu ainda que, segundo "a ordem natural da democracia", cabe a PSD e CDS-PP formarem Governo e acusou o PS de desrespeitar esse princípio ao procurar um acordo de governação com partidos à sua esquerda.
 

"Quem venceu as eleições foi a coligação [PSD/CDS-PP]. No âmbito daquelas que são as regras constitucionais, mas também da nossa democracia, caberá à coligação a responsabilidade de ser chamada a formar Governo", defendeu, acusando em seguida o PS de estar a negociar "em várias frentes políticas" com "um objetivo que não foi aquele que resultou das eleições legislativas".


Em nome do PSD, Marco António Costa manifestou "algum espanto" face a esse comportamento do PS, que apelidou de "um simulacro de negociações", e insistiu: "O que resultou das legislativas foi a ordem natural que eu referi no início. E, portanto, não vemos como é possível o PS estar neste momento a tentar desenvolver múltiplas negociações num frenesim negocial sem resultados objetivos".

Segundo Marco António Costa, o presidente do PSD e primeiro-ministro em exercício, Pedro Passos Coelho, hoje "verbalizou aquilo que é um sentimento generalizado dos portugueses" em relação à "tentativa de negociação em várias mesas negociais" por parte do PS.
 

"Há um ponto a partir do qual também temos de expressar o nosso sentimento em relação a tudo o que se está a passar", considerou, referindo que "quem estava de fora e que tivesse chegado a Portugal na última semana ficaria com a ideia de que foi o PS que ganhou as eleições".


"Eu julgo que temos de repor a ordem natural das coisas na democracia", reafirmou.


"Encenações" é que não


Também Nuno Melo sublinhou mais tarde que quem ganhou as eleições foi a coligação e não o Partido Socialista. "Seria suposto que quando o PS negoceia fizesse de boa fé, o que significa apresentar propostas e dar respostas".

"A coligação não está disponível para encenações. Não é normal que uma representante de 10% dos portugueses insulte mais de 2 milhões de portugueses, dizendo que o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas acabou. Não é normal que António Costa - que é por acaso o secretário-geral do PS - fique calado"


Melo referia-se às declarações de Catarina Martins no final do encontro que a porta-voz do Bloco teve com Costa. "Tudo no seu devido lugar", pediu o centrista, vincando novamente que o PS foi "derrotado" nas eleições.

"A coligação também tirou as devidas lições do resultado", reconheceu ainda, uma vez que PSD e CDS-PP perderam a maioria absoluta. 

Entretanto, Carlos César, presidente do PS, afirmou que os socialistas não podem ser tratados como partido "amanuense" dos sociais-democratas, "como se fosse o CDS". E avisou que o PSD assumirá "responsabilidades" se romper o diálogo.