O porta-voz do PSD, Marco António Costa, reiterou, esta terça-feira, a recusa em fazer qualquer «comentário político sobre matérias de justiça», depois de confrontado com a aplicação da prisão preventiva a José Sócrates.

«Eu recusei, como porta-voz do partido, fazer qualquer comentário sobre a matéria. Manteremos esta nossa postura de forma inabalável, por considerarmos que se trata de um tema da justiça e não de um tema de política. Portanto, não faremos nenhum comentário político sobre matérias de justiça», afirmou Marco António Costa.

O vice-presidente social-democrata e porta-voz do partido disse não ter nada a acrescentar às declarações produzidas no sábado, altura em que recusou tecer qualquer cometário sobre a detenção de José Sócrates por se tratar de um tema de justiça.

Marco António Costa foi confrontado com a prisão preventiva de José Sócrates durante uma conferência de imprensa, na sede do PSD, em Lisboa, sobre o Orçamento do Estado para 2015, hoje aprovado em votação final global.

O ex-primeiro-ministro José Sócrates está detido, em prisão preventiva, no Estabelecimento Prisional de Évora.

O ex-primeiro-ministro é o primeiro ex-chefe de governo da história da democracia portuguesa a ficar em prisão preventiva, indiciado por fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção.

Deputados da Madeira vão ser alvo de processo disciplinar

Na mesma conferência de imprensa, hoje em Lisboa, o porta-voz do PSD também comentou as consequências que poderão advir para os deputados do PSD Madeira que hoje votaram contra o Orçamento do Estado para 2015 e afirmou serão objeto de um processo disciplinar, desencadeado pela participação ao Conselho de Jurisdição do partido.

«Se há uma participação ao conselho de jurisdição haverá obviamente a instauração de um processo disciplinar», disse Marco António Costa.

Na reunião da comissão política permanente, o líder parlamentar, Luís Montenegro recebeu daquele órgão «total solidariedade no sentido de apresentar uma participação aos órgãos jurisdicionais do partido» dos quatro deputados madeirenses do PSD que violaram a disciplina da bancada, ao votarem contra o Orçamento do Estado (OE), afirmou Marco António Costa.

«Trata-se de uma atitude, sob o ponto de vista político, inaceitável, que não tem nenhum tipo de justificação», declarou.

Os deputados do PSD eleitos pela Madeira Hugo Velosa, Guilherme Silva, Francisco Gomes e Correia de Jesus votaram contra a proposta, que mereceu a abstenção do deputado do CDS-PP Rui Barreto.

Na conferência de imprensa convocada após a reunião da comissão política permanente do PSD, Marco António Costa teceu ainda considerações gerais sobre o OE, considerando que o primeiro documento orçamental do pós-‘troika' é «marcado pela responsabilidade e recuperação de rendimentos» e pela «esperança», mantendo o «rumo da reocupação das contas públicas».

O porta-voz social-democrata lamentou ainda que o PS tenha «rompido o acordo» sobre a reforma do IRC, que, afirmou, permitiria uma «estabilidade programada» daquele imposto.