O vice-presidente e porta-voz do PSD disse esta segunda-feira que os novos gestores do BES resultaram da «escolha dos acionistas, da autorização do Banco de Portugal e dos seus currículos», negando qualquer ligação político-partidária.

Marco António Costa, que falava após um almoço de trabalho com seis dos sete autarcas sociais-democratas do distrito do Porto, afirmou que «todos os portugueses têm perfeita consciência de que existe uma completa uma separação entre aquela que é a atividade do Banco de Portugal e a sua função de regulação e qualquer intervenção política, muito menos de natureza partidária».

«Faz parte de uma certa postura da oposição tentar lançar essas polémicas», desvalorizou, referindo-se às suspeitas lançadas pela oposição os nomes escolhidos para o BES, cuja administração executiva passa a ser presidida pelo economista Vítor Bento e a integrar o até agora presidente do IGCP, Moreira Rato.

Nomeações misturam «assuntos privados e interesses públicos»

Os responsáveis do Partido Livre afirmaram que as recentes nomeações de Vitor Bento, Mota Pinto e de Moreira Rato para o grupo BES misturam «assuntos privados e interesses públicos», propondo três medidas para combater a «promiscuidade».

«Infelizmente, a nomeação de administradores próximos do poder político, que voltou a verificar-se agora com Vítor Bento, Paulo Mota Pinto e Jorge Moreira Rato, demonstra que continua a não existir uma fronteira entre assuntos privados e interesses públicos», lamentam em comunicado.

O Espírito Santo Financial Group (ESFG) anunciou sábado os nomes do conselheiro de Estado e presidente da SIBS (entidade que gere a rede multibanco) para presidente executivo do Banco Espírito Santo, do deputado social-democrata e ex-juiz do Tribunal Constitucional para presidente do Conselho de Administração e do presidente do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) para administrador financeiro.

O partido fundado, entre outros, pelo ex-eurodeputado Rui Tavares defende a «separação entre banca comercial e banca de investimento», para colocar «a salvo dos negócios especulativos» o «dinheiro dos depositantes», bem como «a subida dos rácios de solvabilidade para 10%», além da «criminalização efetiva do crime de abuso de informação privilegiada e de branqueamento de capitais».

Segundo o Livre, «a promiscuidade entre Estado e a banca afetou seriamente a economia real portuguesa» e «a narrativa» de que os portugueses vivem acima das suas possibilidades «não é a história das famílias portuguesas e da perda de postos de trabalho, mas sim o 'modus operandi' da banca portuguesa, enredada em negócios obscuros com a conivência do Estado».

«É preciso intervir já, com medidas de caráter sistémico, para que daqui a uns meses, nesta instituição bancária ou noutra, a história se não repita», insiste o Livre, para o qual «agora o país é confrontado com o escândalo do BES», depois das polémicas como «a falência e nacionalização do BPN, a insolvência do BPP e as acusações sobre quatro administradores do BCP relativas a um esquema de manipulação».