O Presidente da República disse hoje ter um "otimismo moderado" quando à permanência do Reino Unido na União Europeia, mas sublinhou que, se os britânicos decidirem isso, "é uma oportunidade para a Europa dar um sinal de vitalidade".

"Embora com moderado otimismo, estou convicto de que o voto livre dos britânicos vai no sentido de continuarem [na União Europeia]", disse o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas no final de uma visita ao Hospital das Forças Armadas, em Lisboa.

Se, porventura, os britânicos livremente decidirem a saída da União Europeia no referendo de quinta-feira, acrescentou, "isso é uma oportunidade para a União Europeia dar um sinal de vitalidade".

PR elogia convergência de “culturas diferentes”

Mas o Presidente da República não esqueceu a visita oficial que fazia e elogiou a forma como "três culturas" diferentes convergiram no projeto do Hospital das Forças Armadas, lembrando que os processos de fusão lidam com pessoas e precisam sempre de ser interiorizados e demoram até amadurecer.

"O grande louvor aqui devido é aos militares e aos civis que estão a viver esta transformação nas suas vidas nos últimos anos e estão a viver no presente, porque se trata de pessoas que já viviam a sua própria cultura há muitos anos e têm de a transformar", afirmou o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.

Referindo-se à fusão do Hospital da Marinha, Hospital Militar Principal, Hospital Militar de Belém e Hospital da Força Aérea, que resultou na criação do Hospital das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa considerou "excecional" a forma como "três culturas diferentes", correspondentes aos três ramos das Forças Armadas, "fizeram um esforço para convergir".

"Há cultura comum às Forças Armadas, é evidente, mas há perspetivas diversas dentro dessa cultura comum", disse, sublinhando que cada ramo tinha também no plano da saúde a sua cultura própria. E, vincou, "fazer fundir três culturas diferentes é muito complexo".

Numa curta intervenção, o Presidente da República lembrou ainda que os processos de fusão lidam com pessoas e são, por isso, "processos lentos, que precisam de ser interiorizados e demoram tempo amadurecer".

Além do louvor ao que foi feito e está ainda a ser concretizado, o chefe de Estado deixou ainda um apelo a militares e civis "para que façam o seu melhor, garantindo o êxito" do projeto do Hospital das Forças Armadas.

Presidente almoçou com Ferro Rodrigues

Entretanto, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve a almoçar no parlamento a convite do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues.

Este almoço a sós entre os dois titulares de órgãos de soberania, na residência oficial do presidente da Assembleia da República (no edifício novo), ocorre antes de Marcelo Rebelo de Sousa e Eduardo Ferro Rodrigues participarem no parlamento na sessão de abertura da conferência comemorativa dos 30 anos da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE).

À saída, em declarações à Lusa, o presidente República afirmou que o seu almoço foi representativo da "magnífica colaboração institucional" entre os dois órgãos de soberania.

"Foi um convite muito simpático do senhor presidente da Assembleia da República, que estava já formulado há muito tempo e que não tinha sido possível concretizar. Esse convite é representativo da magnífica colaboração institucional entre os dois órgãos de soberania", afirmou o chefe de Estado

Sobre os temas abordados no almoço com o presidente da Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa disse que, além de se ter falado "do estado do tempo, da beleza do começo do verão e das perspetivas para a passagem na quarta-feira [da seleção nacional de futebol no Euro2016], seria difícil não falar de política, como é natural".

"Mas sempre em concertação e em convergência institucional constante", acrescentou o Presidente da República.

"A saída do Reino Unido teria um impacto incalculável"

Depois do almoço com Marcelo Rebelo de Sousa e já na abertura de uma conferência sobre os 30 anos da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE), na Sala do Senado da Assembleia da República, o presidente da Assembleia da República defendeu que a Europa "está numa encruzilhada".

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, considerou hoje que a permanência do Reino Unido na União Europeia "representará um conjunto de concessões controversas", mas a saída "teria um impacto incalculável".

O presidente da Assembleia da República acrescentou que, "seja qual for o resultado, a Europa já não será a mesma e precisa de se reinventar" e, neste contexto, apelou à criação de "uma frente interna coesa em torno da defesa dos interesses de Portugal na Europa".

Ferro Rodrigues referiu-se ao referendo desta quinta-feira no Reino Unido a meio da sua intervenção, na presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com quem almoçou antes desta conferência.

"Aguardemos serenamente pela decisão soberana do povo britânico. Mas preparemo-nos desde já para uma reflexão urgente", afirmou.

Em seguida, o presidente da Assembleia da República considerou que "a manutenção representará um conjunto de concessões controversas, que não devem constituir precedentes para outros casos".

"Mas a saída do Reino Unido teria um impacto incalculável, que nos convocaria para uma estratégia de aprofundamento político ainda mais urgente. Seja qual for o resultado, a Europa já não será a mesma e precisa de se reinventar", completou.