O Presidente da República considerou que a situação que existia na Europa antes do referendo de quinta-feira que deu a 'vitória' à saída do Reino Unido da União Europeia (UE) é diferente daquela que existe hoje.

"Há uma Europa antes da votação de ontem, há uma Europa depois da votação de ontem e, portanto, há em certos aspetos um Portugal antes da votação de ontem e um Portugal depois da votação de ontem", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas em Mafra, no final de uma homenagem ao general Ramalho Eanes.

Adiantando que tenciona "oportunamente" falar aos portugueses sobre o assunto, Marcelo Rebelo de Sousa escusou-se a comentar o facto de Portugal ter ficado de fora dos membros escolhidos para se reunirem no sentido de encontrar uma solução para a situação.

"Não se deve esperar de quem defende solidariedade europeia que contribua para, com a sua palavra, afetar, limitar ou condicionar a solidariedade europeia", referiu.

O fundamental, acrescentou, é perceber-se que "a situação que existia antes" do referendo passou a ser "diferente depois".

"E isso aplica-se à Europa, aplica-se a Portugal, sem dramatização, mas também sem iludir os problemas", sublinhou.

Ação “absolutamente determinante” de Ramalho Eanes

Durante a cerimónia em que participou em Mafra, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou a ação "absolutamente determinante" de Ramalho Eanes na transição entre a ditadura e a democracia, elogiando a seriedade, honestidade e coragem de "um dos nossos maiores".

"Naquele que foi um dos momentos mais relevantes da história recente de Portugal, a transição entre a ditadura e a democracia, entre os muitos que com lealdade serviram a pátria deve destacar-se o senhor general António dos Santos Ramalho Eanes, cuja ação foi absolutamente determinante para que hoje sejamos um Estado de direito democrático", disse o chefe de Estado.

Lembrando as virtudes de caráter que sempre distinguiram Ramalho Eanes, o primeiro Presidente da República eleito em democracia - a 27 de junho de 1976 -, Marcelo Rebelo de Sousa destacou a "invulgar notoriedade e invulgar prestígio" que o general alcançou junto da instituição militar e da sociedade civil.

Inflexível na defesa das Forças Armadas

O Presidente da República prometeu ainda ser "inflexível" na defesa das Forças Armadas, "sem hesitações ou estados de alma", sublinhando que quando o poder político as esquece está a esvaziar uma dimensão essencial da sua legitimidade de exercício.

"Como Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas serei inflexível na defesa das nossas Forças Armadas em todos os momentos, sem hesitações ou estados de alma", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Falando perante os três ramos das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que uma pátria que não saiba respeitar as suas Forças Armadas é uma pátria que perdeu o sentido da sua identidade própria.