O social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa considerou esta quarta-feira que as declarações do ministro Rui Machete associando juros da dívida acima de 4,5% a um segundo resgate constituíram um «desastre total», entretanto corrigido pelo primeiro-ministro e pelo vice-primeiro-ministro.

Questionado sobre a eventual substituição do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que não seria agora, em pleno debate do Orçamento do Estado para 2014, que o primeiro-ministro iria fazer uma remodelação, e recomendou aos ministros que tenham cuidado com o que dizem em público.

O comentador político e antigo presidente do PSD fez estas declarações à margem do 23.º Congresso das Comunicações, no Centro de Congressos de Lisboa.

Questionado pela comunicação social sobre as declarações de Rui Machete, Marcelo Rebelo de Sousa qualificou-as de «desastre total» e disse que isso «já está comentado», acrescentando: «Não é do interesse português puxar para baixo aquele número que tornaria mais complicado haver um programa cautelar e alargaria as hipóteses de um resgate. Portanto, o primeiro-ministro já corrigiu, o vice-primeiro-ministro já corrigiu. Está corrigido», cita a Lusa.

O professor universitário de direito e conselheiro de Estado referiu que «o vice-primeiro-ministro, primeiro, o primeiro-ministro, depois, já explicaram que não há números mágicos», concluindo que «é isso que interessa a Portugal».

Quanto à possibilidade de Rui Machete ser substituído na chefia do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Marcelo Rebelo de Sousa comentou: «Eu acho que nesta altura o primeiro-ministro não ia substituir o ministro, não ia fazer uma remodelação em pleno debate do orçamento. Temos tantos problemas importantes pela frente que os ministros têm é de ter cuidado, cá dentro e, sobretudo, lá fora, quando querem formular hipóteses, formularem baixinho, não formularem para as câmaras de televisão».

No domingo, durante uma visita à Índia, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros sustentou que Portugal só evitará um novo pedido de resgate se os juros da dívida pública a dez anos não ultrapassarem os 4,5%, valor que no dia seguinte afirmou ter apontado «indicativamente e como mera hipótese».

Na segunda-feira, em Lisboa, o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, contrapôs que o atual programa de resgate de Portugal «tem uma data marca para finalizar, não uma determinada taxa [de juro], mas sim uma data».

Na quarta-feira, em Paris, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, declarou que «não há números mágicos» para Portugal regressar ao financiamento nos mercados internacionais e reiterou a confiança no ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.