Educação, saúde e segurança social, sobretudo, são marinheiros de um mesmo barco para Marcelo. Por isso, condena que se entre numa lógica de "experimentalismo crónico" na política portuguesa.

"Por muito que apeteça a muitos dos partidos políticos que aconteça... Apetece, mas não pode ser"

O candidato tem repetido que o país enfrenta desafios de governabilidade. O Governo tem dois, prementes, no seu entender: a solidez da sua base de apoio parlamentar; e a compatibilização de medidas sociais exigentes com a não derrapagem financeira.

A oposição também: "o desafio de se refazer". Repete o verbo de outros discursos. E acrescenta outros: "formular, construir um caminho". Que seja de abertura, lá está, aos consensos de regime. Ainda ontem deixou o aviso a Passos Coelho, que acenou a eleições antecipadas, para que não espere nada em troca pelo apoio. 

Hoje, perante empresários, num almoço em Lisboa, o discurso aligeirou-se. Disse que o outro desafio da oposição é de um caminho para uma "formulação alternativa". Alternativa de Governo, depreende-se. 

Seja como for, Marcelo já disse que foi "muito bom" Costa e Passos, líderes dos dois maiores partidos, se terem reunido, na semana passada, porque terão muitas coisas para falar. Voltou agora a apelar a mais apertos de mão: "É a ocasião em que é preciso respirar fundo, ultrapassar ressentimentos, acrimónias, choques de posições e procurar o máximo denominador comum, pode ser pequeno no início e depois vai-se alargando, mas tem de ser construído todos os dias". Nesse campo político ao mais alto nível.

O mesmo para a concertação social. Há outras três matérias-chave, para além da saúde e da educação, que merecem consensos e que Marcelo ainda não tinha nomeado: os impostos ("deve haver estabilidade em termos fiscais, é muito importante para quem está no comércio ter previsibilidade"); a eficácia e disponibilidade dos fundos europeus e o financiamento bancário. 

"Como Presidente, se for eleito, eu acompanharei, como deve acompanhar, não competindo nem concorrendo, aquilo que as autoridades forem fazendo para reforçar o nosso sistema financeiro", assumiu, ao mesmo tempo que defendeu maior "eficácia e transparência do funcionamento da regulação".

Marcelo também reconhece o "desafio muito preciso" que o próximo Presidente terá em mãos: "Se os pressupostos políticos falharem podem pôr em causa a saída da crise".

"O Presidente não só tem noção disto, como deve intervir neste domínio. O Presidente não é um analista, não é um comentador, é um protagonista cimeiro da vida política e constitucional portuguesa"

O que fará Marcelo, o Presidente?  O discurso ainda é vago. Será "canalizador positivo", diz. Também tem usado a expressão "fusível de segurança". "Não substituindo, mas ajudando a. Não ser um travão, um ruído, um obstáculo, mas ser um fator adjuvante". 

Um Presidente com uma "posição moderada e moderadora na vida portuguesa". "Ou então é inevitável que tensões aumentem e as radicalizações políticas também", avisa.