O Presidente da República confessou, neste domingo, ter ficado com “uma preocupação legítima” com o relatório sobre o furto de armas em Tancos, mas que, depois das explicações, já não está.

Aquilo que era uma preocupação legítima do Comandante Supremo das Forças Armadas deixou de ter razão de ser” depois de ter recebido as explicações do Estado-Maior-General das Forças Armadas e dos serviços de informações, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, no final da Festa do Livro, no Palácio de Belém, em Lisboa.

Marcelo explicou porque foi comedido, no sábado, no Porto, quanto ao relatório que o semanário Expresso noticiou e mantém, atribuído aos serviços de informações militares, que era muito crítico quanto aos militares e ao ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes.

No sábado, explicou, não se referiu a “uma matéria que não conhecia”, dando “a entender que o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas não conhecia um relatório secreto de um serviço secreto, oficial, do Estado português sobre um tema desta relevância”.

Hoje, o Presidente tem a resposta para concluir que não há relatório oficial algum, “nem da parte do Estado-Maior-General das Forças Armadas [EMGFA], nem do SIS [Serviço de Informações e Segurança] nem do SIED [Serviço de Informações Estratégicas de Defesa]”

O resto, as polémicas, as acusações são “um ruído e um afastamento do essencial”, disse Marcelo, que falou aos jornalistas depois de o ministro da Defesa ter falado de aproveitamento político.

O essencial, sublinhou o chefe de Estado, é a investigação do que aconteceu em junho, no paiol da base de Tancos, com o furto de material e que se investigue “o mais rapidamente possível” para se perceber o que acontece e apurar responsabilidades.

O semanário Expresso divulgou no sábado um relatório, que atribuiu aos serviços de informações militares, com cenários "muito prováveis" de roubo de armamento em Tancos e com duras críticas à atuação do ministro da Defesa Nacional, na sequência do caso conhecido em 29 de junho.

O ministro da Defesa disse hoje que o noticiado relatório dos serviços de informações militares sobre o furto de armamento da base de Tancos foi fabricado e que existem “objetivos políticos” na sua divulgação, já depois de António Costa ter assegurado que o relatório não pertence a "nenhum organismo oficial" do Estado.

“Hoje, sabemos que não há nenhum relatório que tenha sido produzido pelos serviços de informações, quaisquer que eles sejam. E é importante saber quem foi, com que motivação foi fabricado esse documento, falsamente atribuído aos serviços de informações.”

Azeredo Lopes considera ainda “muito peculiar” como “é que aparentemente o PSD parecia conhecer este documento falsamente apresentado como sendo das ‘secretas’” e não exclui que existam objetivos políticos na sua divulgação.

“É importante saber de quem é a autoria do documento, com que intenção foi elaborado e com que objetivos, aparentemente políticos, foi divulgado como sendo das ‘secretas’”, afirmou o ministro, depois de ter sido criticado pelos líderes dos partidos da oposição, Pedro Passos Coelho, do PSD, e Assunção Cristas, do CDS-PP, durante o fim de semana.