O antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes voltou esta terça-feira a admitir candidatar-se às presidenciais de 2016, discordando da opinião de Marcelo Rebelo de Sousa de que o candidato do centro-direita só deve avançar no final do ano.

No programa Edição da Noite, da SIC-Notícias, o atual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa socorreu-se mesmo do jogo de apostas mútuas para classificar a ideia defendida por Marcelo Rebelo de Sousa de que começar já a debater candidatos às presidenciais é suicídio para a direita.

«É como jogar no Euromilhões com a chave já na mão», ironizou Santana Lopes ao comentar as advertências hoje lançadas pelo comentador da TVI e ex-presidente do PPD-PSD sobre o ‘timing’ mais adequado para o lançamento da candidatura presidencial do espaço do centro-direita.

Santana Lopes recordou que «o Presidente da República não é um agente partidário» e, por isso, não deve ficar à espera das decisões dos líderes do PSD, Pedro Passos Coelho, e do CDS-PP, Paulo Portas, para lançar a candidatura ao mais alto cargo do Estado.

«Não devemos misturar o anúncio da candidatura presidencial com as legislativas. Deve ser antes», defendeu o ex-chefe do Governo, recordando os casos de Jorge Sampaio e Cavaco Silva, que decidiram lançar as respetivas candidaturas a Belém numa altura em que os seus respetivos partidos não tinham tomado qualquer decisão sobre a matéria.

Pedro Santana Lopes reiterou que, se optar por uma candidatura a Belém, não esperará por ninguém e avançará mesmo no caso de haver outros candidatos do mesmo espaço político.

«A decisão será apenas minha, quando chegar o tempo que eu considero adequado, que não espera por ninguém», assegurou, sublinhando: «para mim, podem ser cinco à direita, ou seis».

Santana lançou ainda o repto a «quem entende que tem condições para se apresentar que se apresente».

Marcelo Rebelo de Sousa tinha alertado, durante a tarde de hoje, para os problemas políticos que poderiam ser criados se se começar a falar já na candidatura presidencial do espaço ocupado pelo PSD e pelo CDS-PP.

«Nesta altura, eu acho que a direita é um bocadinho suicida se começar a criar um problema, num momento em que a esquerda calmamente – e quando digo a esquerda é o PS – vai fazendo o seu caminho para São Bento e António Guterres calmamente vai fazendo o seu caminho para Belém», afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Para o comentador político, que falava à margem das comemorações dos 25 anos do ESEIG em Vila do Conde, “tudo o que seja neste momento estar a criar uma perturbação, um ruído, uma agitação a destempo é objetivamente bom para a esquerda”.