O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou esta sexta-feira que “as instituições estão a funcionar”, quando questionado sobre se o governador do Banco de Portugal tem condições para continuar em funções.

É uma não matéria, as instituições estão a funcionar”, disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, à saída da inauguração da iniciativa Meeting Lisboa 2016, que decorreu no Centro Cultural de Belém.

No debate quinzenal com o primeiro-ministro no parlamento, o Bloco de Esquerda exigiu hoje a demissão do governador do Banco de Portugal por alegadamente ter omitido do Governo uma sugestão que fez ao Banco Central Europeu para limitar a liquidez concedida pelo Eurosistema ao Banif.

O primeiro-ministro rejeitou alinhar com a exigência de demissão do governador do Banco de Portugal, alegando que recusa antecipar conclusão da comissão parlamentar de inquérito sobre o Banif e que deve haver normalidade no relacionamento institucional.

A Comissão Parlamentar de Inquérito ao processo que conduziu à venda e resolução do Banco Internacional do Funchal vai ouvir na próxima semana o governador do Banco de Portugal e o ministro das Finanças.

O chefe de Estado presidiu hoje, no Centro Cultural de Belém, à sessão de abertura da iniciativa cultural Meeting Lisboa 2016, onde referiu Portugal como um "encontro de várias culturas e civilizações", defendendo que "as novidades" que trouxe do mundo fizeram do país "uma sociedade aberta, plural e inclusiva".

Marcelo Rebelo de Sousa sustentou, no contexto do acolhimento de refugiados, que "a aceitação da diferença é crucial" para uma "sociedade livre e ecuménica" como Portugal.

Aos jornalistas, lamentou que a Europa "crie expetativas, e depois ilusões", apontando que países prometem acolher dez mil refugiados, mas, depois, têm dificuldade em receber uma ou duas centenas, "por razões burocráticas".

Isso é mau para a Europa, para a sua projeção no mundo", afirmou.

Justificando a sua presença na iniciativa, o Presidente da República disse que tem de estar "atento à inclusão dos outros", advogando que o encontro "está a ajudar a construir Portugal".