O Presidente da República considera que Portugal está unido no acolhimento de refugiados e que não há falhas por parte das autoridades portuguesas. Marcelo Rebelo de Sousa visitou, esta segunda-feira, o Centro de Acolhimento do Conselho Português para os Refugiados (CPR), na Bobadela, concelho de Loures, por ocasião do Dia Mundial do Refugiado.

Marcelo Rebelo de Sousa salientou a presença nesta visita, que durou mais de duas horas, dos ministros Adjunto, Eduardo Cabrita, e da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, do presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares, e do Provedor de Justiça, José de Faria Costa.

"Estamos todos unidos em Portugal em relação aos refugiados. Portugal pensa, sente a uma só voz. Estamos juntos, e o povo português está junto, connosco. Estamos todos juntos recebendo-os, acolhendo-os como nossos irmãos", declarou.

"Temos o senhor presidente de Câmara, que vai dar terreno para duplicar este centro. E isso merece aplauso", referiu, pedindo palmas para o ex-líder parlamentar do PCP.

Perante dezenas de refugiados e trabalhadores deste centro de acolhimento, o chefe de Estado acrescentou: "No nosso coração não há um dia dos refugiados. Todos os dias são dias dos refugiados".

"Todos nós podemos ser refugiados um dia, e todos por isso compreendemos."

O Presidente da República disse que, tendo em conta a população, Portugal é "o país da Europa que recebe mais refugiados nesta experiência europeia".

"Acontece aqui em Loures, mas acontece em todo o país. Não há um lugar do país em que não estejamos todos de acordo. Nós gostamos de vocês, nós sabemos que estão a gostar de nós, vamos juntos construir um futuro com mais paz, com mais justiça entre as pessoas e os povos", frisou.

Questionado sobre o facto de Portugal ter recebido até agora um número de refugiados aquém do previsto - 370 até agora -, respondeu: "Da parte de Portugal não está a falhar nada, porque Portugal está disponível para receber mais e vai receber mais, e vamos duplicar nos próximos meses".

Segundo o Presidente da República, "tem havido algumas dificuldades no encaminhamento para Portugal", alheias às autoridades portuguesas.

"Da parte portuguesa, o esforço que está a ser feito não tem tido problemas. Tem havido problemas na origem dos que para cá vêm, não tem havido problemas à chegada", reforçou.

Marcelo Rebelo de Sousa foi também questionado sobre casos de refugiados que foram acolhidos em Portugal e desapareceram, e foi aplaudido ao responder que Portugal é "um país livre" e "não é um Estado policial".

"Pode haver um ou outro caso de pessoas ou de famílias que estão em movimento em Portugal, porque nós somos um país livre. Acolhemos os refugiados, mas não controlamos os refugiados. Isto não é um Estado policial", respondeu.