Marcelo Rebelo de Sousa marcou ponto de encontro numa pastelaria, na rua Salgado Zenha, na Guarda, que foi precisamente candidato presidencial há 30 anos, em 1986, numa clivagem com Mário Soares. Não passou à segunda volta, mas ela existiu e foi disputada entre Soares e Freitas do Amaral. Os jornalistas não resistiram e perguntaram ao professor se podia acontecer o mesmo agora, uma segunda volta em que acabaria por ganhar, como no passado, um candidato de esquerda. 

"Sou da esquerda da direita", respondeu, despreocupado, colando Freitas do Amaral à direita da direita

Ontem mesmo, o seu adversário Sampaio da Nóvoa comparou as presidenciais e a sua candidatura à do vencedor dos anos 80: Mário Soares. Essas foram também as únicas eleições para chefe de Estado em que houve segunda volta, a que o candidato aspira para destronar o professor.

Marcelo tem pedido uma "clarificação rápida e definitiva" já e insistiu nessa mensagem, esta manhã: "Não se deve deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. Não deixar para o dia 14 de fevereiro [data da segunda volta, a existir], o que se pode decidir no dia 24 de janeiro".

"Não vejo aqui laranja. É uma lacuna"


Atrás do balcão da pastelaria, o candidato aproveitou esse recuo no tempo para distinguir as duas eleições presidenciais. "O país é completamente diferente de 1986. Essas eleições foram muito dramatizadas em termos ideológicos entre esquerda e direita e isso foi assumido na campanha".

Agora, entende, é diferente. E embora assuma a sua candidatura como independente, a cor laranja do seu PSD é pretexto tanto para comentários seus, como para perguntas dos jornalistas.

Numa pequena e curta arruada pela Guarda, Marcelo entrou numa loja que vendia gravatas. A questão irresistível: por que é que nunca usa cor-de-laranja? "Tem muitas virtualidades, mas é uma cor berrante", atirou. Se bem que até colocou o cenário de poder vir a utilizar, "se for para agradecer a recomendação de voto" do seu partido na sua candidatura.

Do outro lado da rua, mesmo em frente, um estabelecimento de tecelagem. E o mesmo discurso colorido, agora lançado pelo próprio:
 
Ainda ouviu a pergunta se estranhava a falta dessa cor. A resposta? "Não é estranho, é a vida". 

Ora, a sua tem sido escrutinada nas campanhas dos adversários. Ainda no domingo, um mandatário de Nóvoa acusou-o de não ter cumprido o serviço militar obrigatório. Primeiro, Marcelo quis fugir à resposta, dizendo que se tem "recusado a entrar em polémicas pessoais" e lamentando que "pessoas que se dão bem" estejam a ter, no seu entender, outra atitude em campanha eleitoral. 

Depois, respondeu que "estava a prestar provas de mestrado". Se não fosse o 25 de Abril, teria "certamente" cumprido essa obrigação. 

A manhã terminou com um almoço no Instituto Politécnico da Guarda. À imagem da campanha de poucos recursos, da qual se tem congratulado, o seu almoço foi magro em calorias. 
Eis o "almoço habitual": 3 iogurtes, sumo e fruta  #campanhatvi24  #Marcelo  pic.twitter.com/UzidkU4Mi4
— Vanessa Cruz (@vanessasoucruz)  11 janeiro 2016