O presidente do parlamento defendeu, esta sexta-feira, que a eleição do novo Presidente da República trouxe um clima "menos tenso e mais dialogante" e as mudanças de liderança e de posicionamento ideológico à direita prenunciam "um novo tempo político".

"A eleição do novo Presidente da República, a forma como decorreu a campanha, as primeiras palavras e os primeiros gestos do Presidente eleito são um bom indicador de que voltaremos em breve a ter um clima político menos tenso e mais dialogante entre todos os principais órgãos de soberania", afirmou Eduardo Ferro Rodrigues.

Num discurso num jantar no âmbito das jornadas parlamentares do PS, em Vila Real, Ferro Rodrigues alertou também que "o sucesso das novas formas políticas está indissociável do sucesso da execução orçamental", sublinhando que os portugueses e a União Europeia estão atentos e "responsabilidade é a palavra-chave".

O presidente da Assembleia da República começou por afirmar que "há mesmo um tempo novo pela frente", com a inclusão de BE, PCP e PEV no suporte ao Governo, para depois sublinhar que o que vê "na nova dialética parlamentar não é apenas um confronto de esquerda versus direita, essa combinação prevalecerá na proposta de Orçamento do Estado, mas há várias combinações possíveis".

"Vimos isso já no Orçamento retificativo apresentado após a venda e resolução do Banif e vamos ver isso certamente em matérias de política externa, soberania, segurança e defesa ou outras. Estou aliás convencido que as mudanças de liderança e as mudanças de posicionamento ideológico anunciadas do lado direito do hemiciclo são o prenúncio que vem aí um novo tempo político e que veio para ficar", sustentou.

O CDS-PP prepara-se para mudar de liderança, num congresso em que Assunção Cristas é até ao momento a única candidata a suceder a Paulo Portas, e Pedro Passos Coelho é recandidato à presidência do PSD com o lema "social-democracia, sempre".

"Ninguém entenderia uma atitude de tensão institucional permanente. A democracia vive de confronto mas não dispensa a lealdade entre adversários e isso tem de ser interiorizado por todos", declarou.

O presidente da Assembleia defendeu que o país precisa de mais diálogo entre órgãos de soberania para a resolução dos seus "problemas estruturais", a maioria dos quais não têm uma solução que possa ser praticada no tempo de uma legislatura.

"O Presidente da República eleito por sufrágio universal tem o poder da palavra e da influência. Quando consegue estar bem sintonizado com o povo pode ser um mobilizador de energias e contribuir para as convergências estratégicas necessárias", sustentou.

Perante vários ministros presentes no jantar, nomeadamente o ministro do Planeamento, Pedro Marques, e o ministro Adjunto, Eduardo Cabrita, Ferro Rodrigues advertiu que "a exigência da execução orçamental é um desafio que cabe ao Governo mas a Assembleia da República tem o dever não só de aprovar o exercício orçamental como de acompanhar técnica e politicamente a sua execução".

"São necessários estímulos e incentivos à boa execução orçamental, é sempre assim, mas neste caso é ainda mais verdade. O sucesso das novas formas políticas está indissociável do sucesso da execução orçamental", declarou.

"Os portugueses estão atentos e as instituições europeias, como melhores ou piores intenções, não estarão menos atentas. Responsabilidade é a palavra-chave", afirmou.