O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, visitaram esta sexta-feira à tarde os dois militares do curso de Comandos que continuam internados no Hospital das Forças Armadas, em Lisboa.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que os incidentes num treino de um curso dos Comandos não desprestigiam as Forças Armadas e declarou "pleno apoio" à abertura de um inquérito e à suspensão dos próximos cursos.

Depois de visitar dois militares internados no Hospital das Forças Armadas, em Lisboa, questionado pelos jornalistas se teve influência na suspensão dos cursos, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que "quem tem poder para decidir sobre essa matéria é o senhor general Chefe do Estado-Maior do Exército, que naturalmente não toma uma decisão dessas sem partilhar o ponto de vista com o ministro da Defesa Nacional".

"O senhor ministro da Defesa Nacional foi permanentemente informando o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, mas quem tinha poder para decidir decidiu, e bem. Há o pleno apoio do Comandante Supremo das Forças Armadas às duas decisões tomadas: à primeira decisão, a da abertura de um inquérito, e à segunda decisão, relativamente aos cursos", acrescentou.

Interrogado se a morte de um militar e a assistência hospitalar e internamento de vários outros militares que participavam num treino dos Comandos não atinge o prestígio das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa declarou: "Eu acho que não".

O Presidente da República disse que "em todas as instituições há momentos bons e momentos maus" e considerou que estes casos foram enfrentados imediatamente com coragem.

"Eu digo que não há desprestígio para as Forças Armadas porque, perante um problema que surge, houve a coragem de enfrentar esse problema abrindo um inquérito para apurar o que se passou, e apurar toda a verdade sem qualquer limitação, e abrir instantaneamente. E, depois, tomar a decisão cautelar de, por um lado, apurar o estado físico de todos os elementos do curso e, por outro lado, não avançar para outros cursos antes de saber exatamente o que se passou nesta circunstância", argumentou.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "só uma instituição muito forte, muito determinada e muito prestigiada é que não hesita um instante a tomar estas decisões" e "não anda a esconder, não anda a adiar, não anda a hesitar, não anda a evitar a verdade.

Questionado se estes incidentes não atingem, pelo menos, os Comandos, o chefe de Estado começou por responder que a sua afirmação sobre o prestígio das Forças Armadas se estende a todas as instituições do Exército, pelo facto de "perceberem a lógica destas decisões, destas averiguações e desta suspensão".

Depois, acrescentou: "Nós não podemos agora prematuramente estar a formular juízos generalizados sobre uma realidade que ainda não foi apurada".

"Quando for apurada, não tenham dúvidas que será efetivamente comunicada aos portugueses - porque as Forças Armadas estão ao serviço de Portugal, ou seja, dos portugueses. E eles serão os primeiros a saber tudo. É prematuro estar agora a formular juízos negativos em relação a instituições que têm servido o país, e que tem servido muito bem o país", concluiu.

Segundo o Presidente da República, as Forças Armadas "estão habituadas há séculos a lidar com a verdade e a assumir a verdade e, em democracia, por maioria de razão, porque a democracia é um regime de verdade, portanto, só a verdade prestigia as instituições".

Marcelo Rebelo de Sousa referiu ainda que "em cenários bem mais complicados há momentos muito maus" para as Forças Armadas, "pelo número de pessoas que acabam por ver ou a sua vida ou a sua saúde atingidas".

Neste contexto, observou: "Por isso é que as Forças Armadas muitas vezes não são devidamente apreciadas pelo que significa a pertença às Forças Armadas de entrega total à causa da pátria".

No final desta visita, o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas informou que entre a noite de quinta-feira e a madrugada de hoje visitou também com o ministro da Defesa o militar do curso de Comandos que está internado com prognóstico reservado no Hospital Curry Cabral, em Lisboa.

Sobre os dois militares internados no Hospital das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa declarou aos jornalistas que "tem havido uma evolução positiva, em qualquer deles, num deles até estando aparentemente próximo de ter alta". Quanto ao militar que está no Curry Cabral, disse que "está num estado estacionário".

O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e o Chefe do Estado Maior do Exército acompanharam esta visita ao Hospital das Forças Armadas, que começou pelas 18:30, com hora e meia de atraso em relação ao previsto, depois de o Presidente da República e o ministro da Defesa terem estado reunidos no Palácio de Belém.

Na sequência de um treino dos Comandos na região de Alcochete, no distrito de Setúbal, um militar morreu devido a "um golpe de calor" e vários outros receberam assistência hospitalar, estando ainda internados três militares, um no Curry Cabral e dois na Unidade de Tratamentos Intensivos do Hospital das Forças Armadas, em Lisboa.