O candidato Henrique Neto disse este domingo que Marcelo Rebelo de Sousa é um dos responsáveis pela "destruição do país" por não ter feito denúncias, mas o seu opositor nas presidenciais garantiu que lutou contra vícios do sistema.

Este domingo à noite, num debate para as presidenciais na SIC Notícias, Marcelo Rebelo de Sousa e Henrique Neto não discordaram sobre quase nenhum tema e utilizaram a maior parte do tempo para discutir as características pessoais de cada um e o passado político e pessoal.

O ex-deputado do PS Henrique Neto disse que Marcelo Rebelo de Sousa era um dos responsáveis pela destruição a que chegou o país nos últimos anos, porque o causador deste estado é o sistema político que o ex-líder do PSD integra, e lamentou que o ex-comentador político não tenha usado o "grande poder da máquina da televisão", já que não teve a "coragem de denunciar tudo o que aconteceu".

Em resposta, e apesar de concordar que "há aspetos muito negativos na evolução da situação portuguesa", Marcelo Rebelo de Sousa assegurou que está "de consciência tranquila" porque se fartou de "lutar contra os vícios do sistema", recordando várias ações enquanto deputado do PSD e líder social-democrata.

"A razão pela qual me candidatei é para evitar que mais uma vez chegue ao poder político em Portugal alguém que eu acho que não tem as condições para ser um bom Presidente da República que garanta a estabilidade do país", disse ainda Henrique Neto.

Marcelo recordou o peso que teve junto dos 25 mil alunos que ensinou como professor universitário, além do poder de comunicar com milhões de pessoas na televisão como comentador, período durante o qual fez os mesmos combates, mas assumindo que fez "o que podia" e que não conseguiu demover presidentes da República e primeiros-ministros.

"Estamos de acordo em relação a muitos aspetos negativos do país, mas é preciso é ter otimismo. A diferença é que o senhor candidato está zangado, eu não. Eu acredito nas portuguesas e nos portugueses", disse o ex-líder do PSD a Henrique Neto.


Questionado sobre se estaria preparado para lidar com uma crise política enquanto Presidente da República, Henrique Neto respondeu que "qualquer candidato tem que estar preparado para isso", mas alertou que "algumas opções do atual Governo poderão não estar certas", recordando que tem "tido razão no passado".

O ex-deputado do PS considera ainda que o Orçamento do Estado e o défice são "um problema muito sério", que previu no passado quando se opôs ao ex-primeiro-ministro José Sócrates quanto ao endividamento.

Sobre a atuação do Governo, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o primeiro-ministro, António Costa, está com um propósito que acha ser "inevitável do ponto de vista da coesão social, desde que esteja atento ao cumprimento de preocupações de não derrapagem financeira".

Em resposta à uma pergunta sobre a sua ação como Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa disse estar preocupado com a divisão de Portugal em dois países e a crispação atual, considerando ser preciso "desdramatizar e refazer pontes".

Marcelo considerou, por isso, que o próximo chefe de Estado vai ter de "curar feridas" e deixou um apelo aos portugueses para que votem, seja em que candidato for.

A encerrar o debate, Henrique Neto destacou a sua experiência e capacidade de previsão, defendendo que qualquer Presidente da República deve unir os portugueses e tem que fazer "o possível para preservar a unidade em qualquer momento".

O empresário aprovou para fechar com uma farpa a Marcelo, recordando que o então comentador disse em junho de 2014, a propósito do BES, que não estaria preocupado e que a banca portuguesa estava segura.