O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, culpou a Europa pelos problemas que existem no encaminhamento de refugiados, afirmando que Portugal está disponível para “receber uns milhares” e que “acabam por vir umas dezenas”.

“O problema está a nível europeu. Há disponibilidade e, depois, é difícil encontrar, com rapidez, refugiados que possam vir para Portugal e é até uma situação um pouco incompreensível”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, esta sexta-feira, aos jornalistas à entrada para um almoço com um grupo de refugiados no Centro Humanitário de Évora da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), depois de visitar a Universidade de Évora e a Fundação Eugénio de Almeida.

Marcelo admitiu haver refugiados que preferem ir para a Alemanha, porque “receberam essa mensagem há já muitos meses”, mas observou que existe outro problema que disse não saber qualificar.

Não sei se é burocrático, se é administrativo, que é a dificuldade de fazer o encaminhamento. O total de refugiados que já foi recebido por países da União Europeia é insignificante para o que foi prometido e para as necessidades”, notou.

Assinalando que Portugal é dos países que “mais tem mostrado vontade de receber” refugiados, o Presidente da República lamentou que, perante a disponibilidade “para receber uns milhares”, depois, acabem “por vir umas dezenas”. Esta situação “está a passar-se por toda a Europa” e revela que “há alguma coisa que não funciona bem”, apontou, frisando que o problema “não tem a ver com a sociedade portuguesa, nem com o Governo português”.

Antes do almoço, o chefe de Estado conheceu, na primeira pessoa, a história de um refugiado sírio, que vive em Évora há cerca de dois meses.

PR ouviu histórias de refugiados sírios na primeira pessoa

Nour Nasser contou que deixou a sua família em Damasco, na Síria, e que tentou atravessar o mediterrâneo, mas, na primeira tentativa, o barco, de oito metros e com 65 pessoas a bordo, começou a meter água e as pessoas tiveram de pedir ajuda à guarda costeira. Três meses depois, viajou novamente da costa turca para a Ilha de Samos, na Grécia, onde conseguiu entrar no programa de recolocação de refugiados. Confessando que pretendia ir para a Alemanha, por não saber nada sobre Portugal, exceto sobre Cristiano Ronaldo, Luís Figo e o Benfica, Nour Nasser mostrou-se feliz por estar em terras lusas.