O Presidente da República comparou, esta quinta-feira, a hipótese de vir a ser explorado petróleo no Algarve com uma suposta viagem sua à lua, depois de ter conversado com manifestantes anti-petróleo que aguardavam a sua chegada, em Loulé.

Não houve [exploração de petróleo] durante 22 anos, com o preço do petróleo baixo é quase como eu ir à lua", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, à entrada para uma cerimónia de homenagem à escritora algarvia Lídia Jorge, no Cine-Teatro de Loulé.

Junto ao local da cerimónia, o presidente era aguardado por aproximadamente 40 pessoas, que, na sua maioria, protestavam contra o eventual avanço da exploração de petróleo na região, mas também contra o pagamento de portagens na Via do Infante (A22), ostentando faixas e gritando palavras de ordem.

"Pode ser que sim. Que seja mais fácil haver petróleo no Algarve do que eu ir à lua", sugeriu, acrescentando que tentou explicar aos manifestantes "que há riscos grandes na vida e que esse não é um risco muito grande".

Lembrando que a lei sobre a pesquisa e exploração de petróleo no país é de 1994, de Marcelo Rebelo de Sousa considerou que se em 22 anos não houve qualquer exploração, quando o preço do petróleo estava "altíssimo", dificilmente haverá agora, sobretudo num sítio onde a probabilidade de se encontrar petróleo é "baixíssima".

À chegada a Loulé, Marcelo Rebelo de Sousa foi interpelado por dezenas de pessoas, com a intenção de alertá-lo para os perigos da exploração de petróleo ou para a sinistralidade na Estrada Nacional 125, mas também, simplesmente, para tirar fotografias ou cumprimentá-lo.

O grupo de pessoas que protestavam contra a exploração de petróleo no Algarve entregaram-lhe uma carta, na qual pedem que interceda junto do Governo para que sejam cancelados os contratos já assinados com empresas petrolíferas para o efeito.

Depois de sair do Cine-Teatro Louletano, o Presidente da República vai percorrer a principal avenida da cidade e visitar o mercado municipal de Loulé.