O Presidente da República lembrou hoje as vítimas da tragédia de Pedrógão Grande, quando passam três meses sobre os incêndios, assinalando a necessidade de investimentos para dinamizar aquela zona do país.

Numa mensagem publicada na página da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que se completam hoje três meses sobre a tragédia "com tantos mortos e feridos e que tirou a casa e outros bens a muitos mais".

O Presidente da República enviou um "abraço solidário e emocionado às famílias" e lembrou os jovens da região que viveram a tragédia, alguns dos quais recebeu em Belém, poucos dias antes de se iniciar o ano letivo.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, os jovens são "a principal razão da esperança de uma vida melhor, com a reconstrução, o investimento e as iniciativas necessárias para dinamizar esta zona traumatizada do nosso país".

O incêndio que começou em Pedrógão Grande a 17 de junho e se alastrou a outros concelhos provocou 64 mortos e mais de 200 feridos e só foi extinto uma semana depois.

Unidade de Missão apresenta Programa de Revitalização do Pinhal Interior

A Unidade de Missão para a Valorização do Interior apresentou este domingo o Programa de Revitalização do Pinhal Interior, documento com dois eixos estratégicos, centrados no renascer da floresta e na revitalização económica e social dos municípios afetados pelos incêndios.

O objetivo é usar este caso [programa] como um projeto-piloto e replicá-lo depois a outras regiões com características semelhantes", explicou o coordenador da Unidade de Missão para a valorização do Interior (UMVI), João Paulo Catarino.

Este responsável, falava durante uma conferência de imprensa, realizada em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, precisamente no dia em que passam três meses dos incêndios florestais que afetaram a região.

O programa que apresenta dois eixos estratégicos, baseados numa intervenção centrada no renascer de uma floresta sustentada e resiliente aos riscos e criadora de valor para o território e numa abordagem centrada na revitalização económica e social do Pinhal Interior, vai estar 30 dias em discussão pública.

João Paulo Catarino adiantou que este programa tem como base, o documento inicial produzido pelos sete municípios (Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penela e Sertã) que foi apresentado à UMVI e ao primeiro-ministro, António Costa.

O documento foi produzido com base num documento inicial que as câmaras municipais nos fizeram chegar. O objetivo é que o novo documento vá ao encontro das expetativas dos municípios", disse.

O programa foi entregue na sexta-feira aos sete municípios e no final da discussão pública, após feitos os ajustes que eventualmente possam vir a ser considerados, será objeto de aprovação pelo Conselho de Ministros e as medidas nele contidas irão ser orçamentadas.

O coordenador da UMVI explicou que o eixo um inclui medidas de recuperação dos ecossistemas, a promoção do ordenamento do território e a gestão florestal, o reforço da defesa e da proteção da floresta.

Já o eixo dois, tem como objetivos a diversificação da estrutura económica e a promoção e desenvolvimento da economia, a promoção de políticas e práticas sustentáveis e da atratividade e coesão territorial, o reforço da qualificação profissional e a estimulação e criação de conhecimento e inovação e a promoção da inclusão social.

Já o presidente da Câmara de Penela, que esteve na apresentação do programa em representação dos sete autarcas, disse que o documento foi preparado pelos sete municípios durante os meses de junho e julho.

"Percebemos todos que a catástrofe podia também ser uma oportunidade para fazer diferente", frisou.

O autarca defendeu a integração de um modelo de governação no Programa de Revitalização do Pinhal Interior e a criação de um observatório do Pinhal Interior, que integre a UMVI, os municípios e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

"Esta é uma medida que vai ser negociada e a forma de o implementar no programa. Acho que não vai ser difícil", concluiu.

Autarca diz que Governo está a fazer o que deve ser feito

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande disse hoje que o Governo está a fazer o que lhe compete, adiantando que o entristece o aproveitamento que "certas pessoas" fazem da tragédia que afetou a região.

É muito complicado para dizer que estou satisfeito [com o que tem sido feito]. Efetivamente a tragédia foi grande, o impacto nas pessoas foi muito grande. Depois, para mim, o que me entristece é o aproveitamento desta tragédia por um certo número de pessoas", afirmou o presidente da câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, à agência Lusa.

O autarca falava à margem da apresentação do Programa de Revitalização do Pinhal Interior, apresentado precisamente no dia em que faz três meses do incêndio florestal que afetou este município do distrito de Leiria.

O Governo está a fazer aquilo que nunca nenhum governo terá feito no mundo e em Portugal. Este Governo está a fazer aquilo que um governo tem que fazer. A verdade é esta", afirmou.

Valdemar Alves sublinhou que o Governo, "olhou com dignidade e respeito pelos mortos e pelos vivos" e adiantou que está a tentar resolver uma situação difícil que não é fácil de resolver. Este tipo de situações não é fácil. Não vamos andar aqui a brincar", frisou.

O responsável reafirmou que o aproveitamento desta tragédia "é muito desagradável", mas recusou-se a esclarecer a quem se refere: "Vocês [jornalistas] sabem quem são, também falam com eles".

O autarca disse ainda que espera que a partir do dia 01 de outubro, dia das eleições autárquicas, "alguém tome as rédeas e ponhas os cavalos no sítio".

Instado a esclarecer se está a haver aproveitamento político, o presidente do município de Pedrógão Grande sublinhou que não tem havido, "porque não têm categoria para isso".

Contudo, diz que há gente que tenta induzir as pessoas em erro: "São lobos vestidos com pele de cordeiro e isto entristece-me. As pessoas querem é os seus problemas resolvidos. Há aqui muito interesses económicos também e acho que isto tem que tomar outro rumo a partir do dia 02 [outubro]", concluiu.