O Presidente da República comparou esta quarta-feira a candidatura de Kristalina Georgieva às Nações Unidas a um concorrente que entra nos últimos 100 metros para tentar ganhar a maratona, sublinhando que António Guterres é um "maratonista natural".

Por princípio, Portugal respeita e saúda todas as candidaturas. No entanto, eu senti um pouco aquela sensação, tive aquela sensação de estar a ser corrida uma maratona e de repente aparecer um concorrente que entra nos últimos 100 metros para tentar ganhar a maratona", disse o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas à saída do congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, que decorre em Lisboa.

A Bulgária mudou a sua candidata ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), substituindo Irina Bokova por Kristalina Georgieva. A vice-presidente da Comissão Europeia Kristalina Georgieva, candidata apoiada pela chanceler alemã, Angela Merkel, é considerada a mais difícil adversária do ex-primeiro-ministro português António Guterres na corrida à liderança das Nações Unidas.

Sublinhando que saúda a existência de mais concorrentes na "maratona", Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que há "quem tenha corrido a maratona toda nas audições, nos votos consecutivos".

Por isso, acrescentou, "dá uma sensação muito desconfortável ver entrar de repente a 100 metros da meta alguém que quer competir com quem anda a correr há muito tempo".

Mas, permanece a mesma serenidade e a mesma confiança até ao fim da maratona", enfatizou, considerando que António Guterres "é um maratonista natural".

Além disso, considerou o chefe de Estado, a candidatura do ex-primeiro-ministro português foi apresentada no devido tempo e de "uma maneira transparente".

Foi um maratonista que correu a maratona para a vencer, não precisando entrar a 100 metros da meta para poder vencer a prova", vincou.

Guterres, que durante dez anos foi alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, venceu as cinco votações até agora realizadas, repetindo, na passada segunda-feira, o resultado da votação anterior: 12 votos "encoraja", dois "desencoraja" e um "sem opinião". Além disso, participou nas audições e debates promovidos pela ONU.

A Bulgária anunciou, antes da última votação do Conselho de Segurança, que ocorreu esta segunda-feira, que poderia retirar o apoio a Irina Bokova caso a candidata não figurasse no primeiro ou segundo lugares, mas a diretora da Unesco piorou o seu resultado e teve sete votos "desencoraja", contra seis "encorajamentos".

A próxima votação do Conselho de Segurança está prevista para a primeira semana de outubro, mas agora ficará a conhecer-se a posição dos membros permanentes do Conselho de Segurança - Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido -, com poder de veto.