O Presidente da República considerou, nesta quinta-feira, que o processo de eleição de António Guterres como secretário-geral da ONU mostra que "não há poderes ilimitados" na comunidade internacional.

Na comunidade internacional este processo foi muito transparente e mostrou que mesmo na comunidade internacional todo o poder é limitado. Não há poderes ilimitados. Isso é positivo porque é um passo que se dá na democratização da vida internacional", declarou.

Marcelo Rebelo de Sousa respondia aos jornalistas, no final de uma visita à Escola de Fuzileiros, Barreiro, após questionado sobre que ilações a Europa e a Alemanha deveriam retirar sobre a forma como decorreu o processo que culminou quarta-feira na indicação de António Guterres como favorito para secretário-geral da ONU pelo Conselho de Segurança.

O chefe de Estado considerou que o resultado da votação de quarta-feira no Conselho de Segurança "foi muito bom para Portugal", para as Nações Unidas e para a Europa e considerou “menor o facto de haver quem não tenha percebido logo que era tão bom para a Europa".

O antigo primeiro-ministro português António Guterres foi na quarta-feira indicado pelo Conselho de Segurança da ONU como favorito para secretário-geral.

Marcelo disse que não foi uma surpresa "haver uma vitória tão clara" de António Guterres, destacando que quer os membros permanentes, quer os não permanentes sugeriram que se "queimasse etapas".

Todos os demais ficaram tão longe da votação do senhor engenheiro António Guterres que nem foi preciso haver desistências, ele acabou por se afirmar por si próprio", observou.

Questionado sobre se este processo pode ser considerado um exemplo da "moralidade na política" a que aludiu no seu discurso na cerimónia do 5 de outubro, Marcelo Rebelo de Sousa assentiu que "é um bom exemplo".

É um bom exemplo, nós estamos mais unidos do que o que parecemos. No essencial, quando toca a rebate, os portugueses estão unidos, foi sempre assim na história", afirmou, acrescentando que o que é preciso é "passar este exemplo para muitos outros exemplos".

No seu discurso nas comemorações do 5 de outubro, o Presidente da República relacionou a desconfiança dos cidadãos para com a política com "o cansaço perante casos a mais de princípios vividos de menos", sublinhando que é a democracia que sofre quando um responsável público se deslumbra.

De cada vez que um responsável público se deslumbra com o poder, se acha o centro do mundo, se distancia dos governados, aparenta considerar-se eterno, alimenta clientelas, redes de influência de promoção social, económica e política, de cada vez que isso acontece aos olhos do cidadão comum é a democracia que sofre."