O Presidente da República disse hoje querer que os portugueses não deixem de perseguir a utopia na sociedade, na economia e na política, mas de forma plural, porque só assim se foge ao populismo antissistema.

“Não podemos deixar morrer a utopia, porque a utopia não é de esquerda nem de direita”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, reforçando que, como Presidente da República, a única coisa que quer é que “os países não deixem de perseguir a utopia, de formas diferentes, porque é um país plural”.

Falando em Óbidos no Festival Literário Internacional (FOLIO), o chefe de Estado disse que “a direita não tem que ficar complexada pelo facto de a esquerda se querer utópica. Nem a esquerda tem que ficar complexada se a direita quiser ser utópica”.

Para o Presidente da República, é preciso “que a esquerda continue utópica”, que a direita “ seja mais utópica” e, de preferência, cada uma “à sua maneira”.

Tanto mais que, “se não conseguirmos encontrar caminhos de utopia no funcionamento da economia, da sociedade, da política estamos condenados aos populismos, antissistema”, acrescentou, considerando que a ausência de pluralidade de ideias “não serve democracia, não serve o Estado de direito, não serve a Constituição e, sobretudo, não serve os portugueses”.

A pluralidade de ideias e políticas foi defendida pelo Presidente no Folio, no qual assistiu ao debate “Jornalismo, Utopia e Economia”, numa mesa com os jornalistas Nicolau Santos e André Macedo.

"Caminhos diferentes"

À margem do debate, Marcelo defendeu que, no capítulo da economia, “é bom para o país que haja dois caminhos diferentes”, aludindo à política do anterior Governo PSD/CDS-PP, “que entendia que era perigoso devolver tantos rendimentos e pôr o pé no acelerador em termos de correção de desigualdades sociais”, de forma tão rápida. E, por outro lado, à do atual executivo socialista para quem “isso faz sentido” para “compensar [os portugueses] pelos anos vividos” sob resgate.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, o que importa é “ter de um lado e do outro da alternativa soluções fortes” mas, que, ressalvou, “respeitem aquilo que é assumido”.

Na sua visita surpresa ao festival a que, como “cidadão e Presidente” quis “manifestar reconhecimento e apoio” Marcelo Rebelo de Sousa assistiu ao final de uma aula de Vera San Payo de Lemos, sobre Brecth, e ouviu ‘segredos’ soprados através de um tubo por alunos de uma turma de Vila Franca de Xira que hoje participavam na oficina “Oceanutópicos”, antes de visitar a tenda dos editores e as várias livrarias da vila.

A cumprir a segunda edição o festival celebra, até domingo, os 500 anos da ‘Utopia’ de Thomas More, o Ano Internacional do Entendimento Global, o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, os 500 anos da morte do pintor Hieronymus Bosch e os 400 anos da morte de William Shakespeare e Miguel de Cervantes.