O Presidente da República afirmou esta quarta-feira estar sereno com a questão das eventuais sanções a Portugal, referindo que se deve esperar pela decisão do Ecofin, e que, neste momento, não faz "muito sentido" debater as medidas adicionais.

"Não sou otimista, eu sempre fui realista e estou sereno, exatamente como o Governo, estou sereno. Não há novidade, está exatamente aquilo que se esperava", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas a bordo de um barco no rio Douro, junto ao Pocinho [Guarda] na iniciativa de encerramento do "Portugal Próximo".

O chefe de Estado explicou que a Comissão Europeia deverá divulgar na quinta-feira a posição quanto às sanções a Portugal, num mini relatório resultante da reunião de terça-feira desta semana.

Marcelo Rebelo de Sousa frisou contudo que a "palavra política decisiva" caberá depois aos representes dos Estados-membros.

O chefe de Estado lembrou que o conselho de ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin) está "em teoria" previsto para o dia 12 de julho e pode "apreciar ou não politicamente" esta questão.

O Presidente da República considerou ainda que, em Espanha, "não há metade da especulação que há em Portugal" sobre esta questão, "talvez porque Espanha esteja a formar Governo e em Portugal haja Governo e portanto Governo e oposição façam disto uma questão de luta política".

Quanto à eventual necessidade de medidas adicionais considerou que é "uma questão que, neste momento, ainda não faz muito sentido, estar a ser debatida".

"Estamos à espera de ver qual é a avaliação técnica e depois a reação política, se há ou não há sanções e quando são e como são. Só depois disso é que se poderia discutir medidas adicionais e, depois disso, é uma altura em que o Orçamento [do Estado] para 2017 já está praticamente pronto", frisou.

Acrescentou que o Orçamento do Estado tem que entrar em outubro na Assembleia da República, estar pronto em setembro e ser objeto de conversas com a Comissão Europeia antes disso.

Portanto, concluiu que "enquanto se fala ou não fala do processo do ano anterior, está a ser executado 2016 e está a ser preparado 2017".

"Mas está bem, até lá pode-se discutir as medidas adicionais indefinidamente mas eu temo que se discuta em seco, pelo menos nas próximas semanas", sublinhou.

Marcelo ficará "mais aliviado" quando o Orçamento para 2017 for aprovado

O Presidente da República disse também esta quarta-feira que vai ficar “mais aliviado nas suas preocupações”, relativamente à economia e finanças do país, quando o Orçamento do Estado para 2017 estiver concluído e aprovado na Assembleia da República.

“Quando estiver pronto o Orçamento para 2017 e passar no parlamento, o Presidente fica mais aliviado nas suas preocupações relativamente à economia e às finanças do país e em relação ao que tem de fazer de empenhamento até externo em relação ao Governo”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado proferiu estas declarações num balanço da segunda edição da iniciativa “Portugal Próximo”, que decorreu em Trás-os-Montes, a bordo de um barco, em viagem pelo rio Douro, junto ao Pocinho, no distrito da Guarda.

Durante três dias, Marcelo Rebelo de Sousa visitou três distritos, instituições de investigação e de ensino superior, museus, equipamentos desportivos, culturais e empresas. Numa fábrica fez uma analogia entre o cogumelo grande e o pequeno, o Presidente da República e o Governo e a solidariedade institucional para “aguentar o Governo por uns tempos”.

Questionado sobre o que queria dizer com esta analogia, respondeu que aproveitou para falar sobre a solidariedade institucional “porque havia um cogumelo grande e outro um bocadinho mais pequeno, mas também importante e ali o cogumelo grande é que servia de apoio ao mais pequeno [o Governo]”.

“Ocorreu-me como é importante a posição do Presidente relativamente ao Governo quando tem que enfrentar dificuldades”, referiu.

E porquê por “uns tempos”? “Eu espero que não se justifique em termos económicos e financeiros haver estas dificuldades e estes debates que tem havido nos últimos tempos sobre as consequências dos défice de 2015, o ano de 2016, a preparação para 2017”, referiu.

O Presidente da República referiu ainda que “esta é uma situação que exige o acompanhamento atento”.

“Mas não é que eu esteja especialmente angustiado”, acrescentou.

Até porque, salientou que os “factos que têm ocorrido, têm ocorrido todos da maneira como se tinha pensado” e a “angústia surge quando há factos inesperados”.

Já esta quarta-feira, Marcelo brincou com os microfones dos jornalistas para explicar que o “Presidente está rigorosamente ao centro”.

“Vejam que o Presidente tão depressa é recebido por presidentes da câmara de direita como de esquerda e tão depressa está atendo aquilo que faz o Governo como àquilo que diz a oposição e a preocupação é estar rigorosamente no centro da vida política portuguesa”, frisou

Em três dias de “Portugal Próximo”, Marcelo Rebelo de Sousa passou pelos distritos de Vila Real, Bragança e Guarda, por 11 concelhos e participou em 15 iniciativas.