O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, está a visitar concelhos afetados pelos incêndios de domingo, tendo afirmado, em Vouzela, distrito de Viseu, que vai prosseguir nestas deslocações nos próximos dias. O chefe de Estado diz que vai estar "onde deve estar" e espera que o Interior deixe de cair no esquecimento.

Vamos ver se é desta que se olha com mais atenção, com mais empenho para estes problemas, porque esta gente não tem o poder de contestação, não tem o poder de fazer greve, não tem o poder de fazer manifestações e isso às vezes faz com que seja muito esquecida"

Estas deslocações do chefe de Estado não constam da agenda oficial do Presidente da República. “Vamos ver se consigo [estar com as famílias], não com todas, mas com uma ou outra de acordo com as indicações dos autarcas, eles é que são mais sensíveis ao estado de espírito das populações”, acrescentou.

No distrito de Viseu, registaram-se 18 vítimas mortais, designadamente em Vouzela (oito), Santa Comba Dão (cinco), Nelas (uma), Carregal do Sal (uma), Tondela (duas) e Oliveira de Frades (uma).

O presidente da Câmara de Vouzela, Rui Ladeira, já disse que “80% a 90% do concelho foi arrasado” pelas chamas, que também deixaram “pelo menos 20 famílias desalojadas” e destruíram “centenas de postos de trabalho”.

O Presidente foi ainda questionado sobre a remodelação governamental na sequência da demissão da ministra da Administração Interna tendo respondido que não comentava.

“Agora estou aqui numa missão mais importante que isso”, disse.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 42 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.