Marcelo Rebelo de Sousa venceu, à primeira volta, as eleições presidenciais ao obter 52% dos votos dos eleitores, segundo os dados provisórios fornecidos pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna - Administração Eleitoral. O novo Presidente da República, o 20º que o país conhece. No seu discurso, Marcelo prometeu unir o que está dividido, social e politicamente.

Numa votação expressiva, Marcelo Rebelo de Sousa foi o mais votado em todos os distritos do país. Com  2.410.130 votos em 4.737.273 eleitores que foram às urnas, ficou, no entanto, abaixo do conseguido pelo socialista Jorge Sampaio, quando foi eleito pela primeira vez em 1996, com 53,9% do total de votos (3.035.056 votos). Em 2006, o seu antecessor, Aníbal Cavaco Silva, foi eleito à primeira volta mas com 50,5% dos votos (2.773.431 votos) num total de 5.590.132 votantes, num universo de 9.085.339 inscritos.

Já o ex-Presidente da República Mário Soares foi eleito pela primeira vez em 1986, numa segunda volta, com 51,1%. Mas foi Soares a conseguir ser eleito com maior percentagem de votos desde 1976, obtendo 70% dos votos na sua reeleição, em 1996. António Ramalho Eanes, o primeiro Presidente da República eleito em democracia, nas eleições de 1976, continua a ser o Chefe de Estado eleito com mais votos numa primeira eleição, 61,59%, representando o voto de 2,9 milhões de eleitores.

Nestas eleições, a abstenção ficou em 51% dos eleitores inscritos. Os votos brancos e nulos somaram mais de cem mil votos. Estes resultados vêm confirmar a sondagem à boca de urna TVI/Intercampus.

O segundo candidato mais votado foi Sampaio da Nóvoa, com 22% dos votos. Para o independente apoiado por antigos presidentes da República, como Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, "faltou pouco" para passar "à segunda volta e esse pouco que faltou" é da sua "inteira responsabilidade e de mais ninguém". No entanto, assumiu que Marcelo será agora o seu Presidente.

E o terceiro lugar do pódio foi para Marisa Matias, com 10% dos votos, candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, que conseguiu assim ficar à frente da socialista Maria de Belém Roseira, que não foi além dos 4,2% dos votos. No seus discurso, Marisa Matias prometeu agarrar a onda e atribuiu a outros não haver 2ª volta. Já a socialista Maria de Belém Roseira, que foi a primeira a discursar na noite eleitoral, assumiu a derrota destacando a elevada abstenção.

O candidato comunista Edgar Silva foi o quinto candidato mais votado, conseguindo mobilizar 3,9% dos votos do eleitorado. Na Madeira, de onde é originário, obteve uma votação mais expressiva, conquistando a segunda posição. Não escondendo que o resultado ficou " aquém do desejável", o candidato apoiado pelo PCP sublinhou que tudo fez para que esta candidatura fosse centrada no "compromisso de mudar de vida".

No lote dos cinco candidatos independentes, Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, conquistou 3,2% dos votos. Vitorino Silva ficou “muito contente” com resultado eleitoral.

Paulo Morais foi o sétimo candidato neste ranking eleitoral, com 2% dos votos. Assumiu que resultado ficou "muito aquém" do esperado: "Esperava um resultado mais substancial" 

Abaixo da fasquia de 1% ficaram Henrique Neto, Jorge Sequeira e Cândido Ferreira.

Jorge Sequeira considerou que houve candidatos que começaram com pontuações "mais elevadas", mas não deixou de considerar o resultado uma vitória:  "Posso dizer que tive uma vitória na medida em que comecei do zero"

Henrique Neto disse esperar que Marcelo Rebelo de Sousa "surpreenda" os portugueses como novo Presidente da República, no entanto, avisou: "O futuro do país nos próximos meses e anos não vão ser fáceis" .

Cândido Ferreira, no fundo da tabela eleitoral, diz ter sido discriminado na campanha eleitoral e por isso não se mostra surpreendido com o resultado.