O Presidente da República eleito, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou esta segunda-feira que "é preciso heroísmo" para trabalhar na comunicação social atualmente, devido à conjuntura económico-financeira, mas recusou convidar estudantes de jornalismo a emigrar inevitavelmente.

"É preciso heroísmo para continuar um percurso na comunicação social. Novas realidades apareceram, nomeadamente na net, mas não é que o público se tenha reduzido, é que as condições económicas e financeiras se tornaram muito mais difíceis, muito mais difíceis", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa na Escola Superior de Comunicação Social, numa conferência que assinalou o aniversário da rádio TSF.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que "o mundo é maior" e que os estudantes presentes "vão ter um mundo à sua frente": "Uns ficarão cá - eu não vos convido a irem para fora inevitavelmente -, outros não ficarão, uns irão e virão. Fica à vossa escolha e cada caso é um caso", disse.

Contudo, se tiverem de sair do país, Marcelo considera que não é razão para ficarem felizes com essa escolha e recorreu a uma citação do primeiro-ministro, António Costa, para o justificar.

"É razão para estarem felizes pela vossa escolha? Não é. E não é por uma razão muito simples e nisso concordo com o que ouvi dizer o primeiro-ministro a propósito de uma efeméride de outro órgão de comunicação social: é que o papel da comunicação social é essencial para a democracia", sustentou.

"Todos os dias se cria democracia através da comunicação social, acertando, errando, cultivando a liberdade de expressão, resistindo aos condicionalismos económico-financeiros", acrescentou, desafiando os estudantes a sonhar, como "um imperativo ético".

Para Marcelo Rebelo de Sousa, não vale a pena os jovens viverem em Portugal "sem sonharem com um país melhor e sonhar com um país melhor significa sonhar também com uma comunicação social melhor".

O Presidente eleito recordou os seus tempos na TSF, em que começou a convite de Emídio Rangel num programa chamado "Exame", no qual começou a dar notas a políticos e outras personalidades, o que lhe valeu "muitos inimigos".

Atribuir notas foi uma sugestão de Emídio Rangel, contou, descrevendo o fundador da TSF e da SIC já falecido como "um líder" e um inovador, destemido e com "visão de mudança", e também excessivo, determinado e voluntarista.

"Eu sou um apaixonado pela comunicação social. Tenho a exata noção que a probabilidade de voltar à comunicação social na minha vida agora é praticamente nula, mas a paixão fica", reconheceu Marcelo Rebelo de Sousa.

O professor catedrático recordou histórias na TSF, como quando comentava um Congresso do PSD com a jornalista Maria Flor Pedroso (hoje editora de Política da Antena Um) e "inopinadamente" teve de integrar uma lista liderada por Leonor Beleza "para viabilizar a lista", continuando sempre a comentar a reunião magna dos sociais-democratas.

"Era um bocado complexo sair diretamente de comentador [de um camarote para o palco do Coliseu], porque ali foi modo contínuo, diretamente para, embora discreto, a lista do Conselho de Jurisdição. Com a teimosia, a TSF obrigou-me ainda a fazer análise política desse Congresso", contou.

"Nada que fosse tão difícil como a análise que fiz depois de ser eleito presidente da Comissão Política Nacional do PSD. Isso então foi o cúmulo da originalidade fazer essa análise", recordou.