O Presidente da República afirmou hoje que não fará nenhum comentário sobre o Orçamento do Estado para 2017 até à votação final global, adiantando que possivelmente falará ao país depois de receber o diploma.

Eu não comento nada sobre Orçamento até à votação final global. Portanto, vão ter de sofrer até ao dia 29 de novembro. Eu não vou comentar nenhuma medida", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, em resposta aos jornalistas.

O chefe de Estado, que falava durante uma visita ao Centro Helen Keller, em Lisboa, acrescentou: "Quando [o diploma] chegar a Belém, eu naturalmente, como sabem, com rapidez - como aconteceu já em relação ao Orçamento para 2016 - analisarei e falarei porventura ao país, a dizer o que penso do Orçamento. Até lá, não".

Conheça as medidas do Orçamento do Estado para 2017

Marcelo Rebelo de Sousa salientou que ainda não se conhece a proposta que o Governo vai apresentar e que depois haverá um longo processo de debate no parlamento, na generalidade e especialidade, até à votação final global.

Questionado se garantia que não iria dizer uma palavra sobre o Orçamento até à votação final global, o Presidente da República confirmou: "É, sobre nada do Orçamento. Nada, nada, nada".

A 19 de setembro, em Nova Iorque, Marcelo Rebelo de Sousa já tinha defendido que durante a preparação e debate parlamentar do Orçamento do Estado "o Presidente da República deve-se silenciar, para estar de mãos livres para analisar o Orçamento".

Por outro lado, o chefe de Estado congratulou-se por o antigo ministro da Saúde socialista António Correia de Campos ter sido eleito presidente do Conselho Económico e Social (CES), com base num acordo entre PSD e PS, depois de uma primeira votação falhada no parlamento.

Ainda bem que os partidos foram sensíveis à ideia de que era preciso eleger o presidente. Está eleito, é bom", afirmou.

Questionado se espera que haja entendimento noutras áreas, declarou: "Vamos esperar. É preciso muita paciência. Eu tenho um mandato de cinco anos. Ainda só passaram sete meses. O caminho faz-se caminhando"

O Centro Helen Keller é uma escola que promove a integração de alunos com problemas visuais e com outras necessidades educativas, do berçário ao nono ano.

Durante esta visita, Marcelo Rebelo de Sousa conviveu com alunos, ouviu atuações musicais, recebeu presentes, tirou fotografias e elogiou esta instituição, num discurso no pátio da escola.

É uma grande escola, porque é uma escola que nos aceita como nós somos, mas todos diferentes uns dos outros", declarou.

A ouvi-lo estavam o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, que o acompanharam nesta visita, e para quem o Presidente da República pediu palmas.

O chefe Estado visitou o Centro Helen Keller durante as celebrações do Dia Mundial da Bengala Branca, símbolo da independência das pessoas com deficiência visual e da sua plena participação na sociedade, que se assinala no sábado.