No habitual comentário semanal do Jornal das 8, Marcelo Rebelo de Sousa criticou as diferenças entre Maria Luís Albuquerque, que considera que o IRS é para manter, e Paulo Portas, que defende uma moderação fiscal.

«Não é uma boa metodologia os ministros enviarem mensagens através da comunicação social», referiu Marcelo, destacando a passividade de Passos Coelho perante o tema, chegando a chamar o primeiro-ministro de «teimoso».

Para o comentador da TVI, o Governo deveria ponderar mesmo uma baixa no IRS. «Seria prudente, se há folga, se houver folga, e parece que pode haver folga, aproveitar para dar um sinal no IRS. Não é por ser Paulo Portas a defender isso, porque há muita gente a defender isso no PSD. Além de ser muito pesado, é justo», disse.

Marcelo sublinhou a necessidade de haver um consenso por parte das duas forças do governo sobre esta matéria. «O PSD e o CDS têm de se entender e passar a ter um discurso de crescimento económico», afirmou.



Marcelo comentou a subida de António Costajunto das federações do Partido Socialista, depois de, este fim-de-semana, o candidato às primárias ter passado de quatro para 10 federações.

«O partido é sensível ao país», afirmou, referindo-se às sondagens favoráveis a Costa.

O comentador rejeitou ainda a possibilidade de o futuro líder, quer seja Costa ou Seguro, não encontrar um partido unificado. «O cheiro a poder unifica os partidos», afirmou, destacando que depois das eleições o importante para os socialistas será vencer Passos Coelho, independentemente de quem seja o líder.

Sobre o processo Face Oculta, cujo acórdão foi conhecido esta semana, Marcelo deixou duas reflexões.

Primeiro questionou o peso que a opinião pública terá tido, ou não, nas condenações dos arguidos e, em segundo lugar, salientou que «para crimes contra o património, estas são penas muito elevadas».