O Presidente da República espera que o Governo de António Costa “esclareça rapidamente” a sua posição quanto à construção da nova ala pediátrica do Hospital de São João, no Porto.

Espero que haja essa definição de posição [do Governo] porque não havendo essa definição de posição haverá sempre uns que interpretarão como não sendo agora, mas está para vir e, outros, que interpretarão como não sendo agora, nem nunca”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa à margem de um debate sobre Demografia, no Porto.

O Chefe de Estado considerou importante que o Governo “esclareça rapidamente” a sua posição dentro dos elementos e dos dados de que dispõe, clarificando assim o assunto.

Acho que o pior que pode haver, como em tudo na vida, é não ficar definida qual é a posição”, referiu.

Falando numa “pretensão antiga e muito forte”, o Presidente da República entendeu também que é importante saber o número de unidades pediátricas oncológicas que há no país e em vários polos do país e, como é que isso se integra na visão global do sistema de saúde.

"Pelo Joãozinho"

Na quinta-feira, o movimento cívico informal “Pelo Joãozinho” lançou um abaixo-assinado para proclamar que é “tempo de agir”, romper o impasse e avançar de imediato com a construção da nova ala pediátrica.

Na apresentação do documento, o porta-voz do movimento, Júlio Roldão, explicou que o que reclamam do Governo são as ações necessárias ao desbloqueamento do processo e ao imediato início das obras, em favor “do supremo e inadiável valor” que são as crianças, a saúde das crianças do Porto, da região e do país.

Ninguém quererá que a nova ala pediátrica do Hospital São João, já dotada de financiamento, possa eternizar-se sem qualquer avanço. Os dez anos que leva de instalações precárias em contentores adaptados para três anos de vida são muito tempo”, afirmou.

Há dez anos que o hospital tem um projeto para construir uma ala pediátrica, mas desde então o serviço tem sido prestado em contentores.

Falta de "luz verde"

O projeto, denominado “Joãozinho”, está orçado em cerca de 22 milhões de euros. O hospital tem cerca de 19 milhões de euros depositados numa conta, mas falta luz verde das Finanças para que os possa utilizar.

Em junho, o presidente do Centro Hospitalar afirmou que o problema do centro ambulatório pediátrico, que inclui o hospital de dia da pediatria oncológica, ficou resolvido, mas “continuam a faltar as instalações do internamento pediátrico”.

Continua a faltar, como é público, as instalações do internamento pediátrico para o qual ainda não temos solução à vista”, afirmou, na altura, António Oliveira e Silva, frisando, a este propósito, que no que ao centro hospitalar de São João diz respeito, “todas as informações pedidas foram fornecidas”.

Júlio Roldão explicou que a recolha de assinaturas decorre até dia 07 de outubro e visa recolher o apoio de cidadãos que retrate ao Governo de António Costa, à Assembleia da República e à Presidência da República a “justeza e urgência” desta obra.

O abaixo-assinado conta já com as assinaturas do arquiteto Álvaro Siza Vieira, da cientista Maria de Sousa, do médico Manuel Sobrinho Simões, do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, dos artistas e escritores Carlos Tê, João Bicker e Manuela Espírito Santo e do bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.