No mercado Ferreira Borges, no Porto, durante o discurso da primeira sessão pública depois da apresentação da candidatura às presidenciais de 2016, Marcelo Rebelo de Sousa enumerou aquelas que devem ser as três prioridades do Presidente da República: reaproximar os portugueses, promover os consensos de regime e ajudar a criar condições de governabilidade.

Para o candidato presidencial, é fundamental "garantir que não haja governos de oito meses ou de um ano ou eleições todos os oito meses ou todos os anos" e foi perentório: "não é preciso ser-se letrado em política para se perceber que não há um país, com a situação presente de Portugal, à saída de uma pesada crise, que possa aguentar instabilidade governamental ou parlamentar crónica".

"As portuguesas e as portuguesas votam. O Parlamento reflete na sua composição essa participação, com certas forças políticas recebendo mais votos do que outras. Seguindo a natural ordenação dos votos, o Presidente da República deve procurar a solução mais viável e duradoura, olhando às condições internas e externas da economia e da sociedade portuguesa, envolvendo o Orçamento do Estado se a vizinhança da sua aprovação for evidente, porque nenhum país deve poder viver seis, sete, oito meses sem Orçamento do Estado aprovado", defendeu o candidato, referindo-se à "tarefa espinhosa mas urgente" de ajudar a garantir a governabilidade.

Sem nunca fazer nenhuma referência concreta à situação atual mas numa clara alusão, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o chefe de Estado deve fazer tudo isto "com a brevidade possível de quem não quer alongar um vazio político"

"O Presidente da República não se pode substituir ao livre voto dos partidos, mas também não pode demitir-se do seu poder constitucional e deve agir com a rapidez possível, com a clareza desejável, com a preocupação de facilitar convergências, de viabilizar soluções estáveis, de promover governos que durem", enfatizou.

Para o candidato presidencial, "pode rever-se a Constituição, mas não faz sentido revê-la dia sim, dia não", defendendo uma "convergência de regime estável" em várias áreas porque é fundamental que haja consensos em matérias estruturais para o país.