O Presidente da República destacou hoje que a sua visita a Salzburgo tem o "objetivo político muito claro" de discutir a presidência austríaca da União Europeia, expressando confiança numa "nova plataforma de entendimento" sobre migrações.

Um dos temas importantes a apreciar é precisamente as migrações, e eu virei aqui também ouvir a posição do senhor Presidente austríaco, que, aliás, é conhecida, que tem expressado várias vezes em público, e que coincide com a posição portuguesa", sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas, à chegada a Salzburgo.

O chefe de Estado português quis salientar a proximidade com o homólogo austríaco, um político de esquerda aberto ao acolhimento de migrantes e refugiados, num país com um Governo anti-imigração, liderado pelo chanceler conservador Sebastian Kurz e no qual participa a extrema-direita.

Confrontado com as posições do governo austríaco, Marcelo Rebelo de Sousa recusou um comentário direto: "Não queria pronunciar-me sobre o país anfitrião, como é natural, e sobre a sua solução de governo. O que interessa é que temos de encontrar uma posição comum, temos de tomar decisões também noutros domínios, também económicos e financeiros, antes das eleições europeias, e estes contactos são muito importantes".

O senhor Presidente austríaco percebeu isso. Podia escolher vários chefes de Estado, escolheu o chefe de Estado português, certamente porque entendeu que era útil que Portugal viesse aqui apresentar o seu ponto de vista, que coincide com o ponto de vista presidencial [austríaco]", acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa é convidado de honra do presidente austríaco, Alexander van der Bellen, na abertura do festival de música de Salzburgo, mas preferiu, assim, valorizar a componente política da visita oficial que concentra na sexta-feira o seu programa, com encontros de trabalho e a ópera "A flauta mágica", de Mozart.

Há aqui uma coincidência de convites mas que tem um objetivo político muito claro, que é falar da presidência austríaca, dos seus objetivos, dos três grandes temas: migrações, aprofundamento da União económica e monetária e problemas de segurança e combate ao terrorismo", afirmou aos jornalistas.

O Presidente português é o convidado de honra do seu homólogo austríaco, mas o festival terá outros convidados de honra do chanceler Sebastian Kurz: a primeira-ministra britânica, o primeiro-ministro da Estónia e o primeiro-ministro da República Checa.

Na sequência das conclusões do recente Conselho Europeu, Marcelo salientou que abordará com Alexander van der Bellen as negociações que estão em curso para o que acredita poder ser "uma nova plataforma de entendimento".

Para esse entendimento, o Presidente português destacou o trabalho da Comissão, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e da Organização Internacional para as Migrações, que será dirigida a partir do outono pelo português António Vitorino.

O objetivo, salientou, é "encontrar uma solução que seja comum a todos os países europeus" e que "não seja um alijar de responsabilidades por parte da Europa".

Há países europeus que querem receber migrantes, e nomeadamente refugiados, estão disponíveis. Há outros países que não podem receber, mas podem pagar aqueles que recebem. Depois, há outros que têm uma posição um pouco mais rígida. Vamos tentar encontrar a compatibilização, como o Conselho Europeu procurou, entre estas várias posições", declarou.

O programa público de Marcelo Rebelo de Sousa nesta visita oficial à Áustria concentra-se na sexta-feira, com o ato oficial de abertura do festival de música de Salzburgo, pelas 11:00, seguido de um almoço oferecido pelo governador e pelo presidente da Câmara de Salzburgo.

Antes da reunião de trabalho com o presidente austríaco, o Chefe de Estado português terá um "breve encontro" com os representantes permanentes em Bruxelas dos 28 estados-membros da União Europeia.

Após o encontro com Alexander van der Bellen haverá uma conferência de imprensa conjunta dos dois chefes de Estado e o dia é finalizado com a ópera "A flauta mágica", de Mozart.

A última ópera de Mozart, compositor natural de Salzburgo, terá encenação da norte-americana Lydia Steier, com o barítono Matthias Goerne à frente do elenco e o maestro Constantinos Carydis na direção da Filarmónica de Viena.