O Presidente da República Portuguesa defendeu, esta terça-feira, que não se deve "pôr o carro à frente dos bois", após ser questionado sobre uma eventual ação de Portugal relacionada com o conflito moçambicano entre Frelimo e Renamo.

Em resposta a questões dos jornalistas em Maputo, no primeiro dia da visita a Moçambique, Marcelo Rebelo de Sousa salientou que "num Estado soberano quem tem a palavra decisiva é o poder político do Estado soberano".

Interrogado se Portugal está disponível para atuar se houver um pedido da parte do poder político moçambicano, respondeu:

"Não vamos pôr o carro à frente dos bois. Sabem que é uma expressão portuguesa muito importante: não pôr o carro à frente dos bois".

Falando de forma mais geral sobre o papel que Portugal pode ter em Moçambique, o chefe de Estado português considerou que, primeiro, "é não desistir de Moçambique", em segundo lugar, "manter o investimento em Moçambique", e depois "manter a cooperação a todos os níveis do Estado com Moçambique".

"E são muitos os níveis: a cooperação social, a cooperação militar, onde estive também hoje, a cooperação económica e financeira. Portanto, tudo o que puder ser feito, Portugal irá fazendo", completou.

Questionado, em particular, sobre o que pode Portugal fazer face à crise político-militar entre a Frelimo, no poder, e a oposição da Renamo, Marcelo Rebelo de Sousa declarou: "Não podemos falar em questões que dizem respeito à soberania de um Estado".

"Moçambique é um Estado soberano, que forma uma unidade que não é cindível, que não é partível", acrescentou.

Investimento português é para continuar e aumentar 

Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou também que Portugal acredita no futuro de Moçambique e pretende manter e aumentar o investimento neste país, apesar das atuais dificuldades económicas e financeiras e da crise político-militar.

"A minha palavra de ordem é: o investimento português em Moçambique é fundamental, é para continuar e é para aumentar", declarou o chefe de Estado, em resposta a questões dos jornalistas, na residência do embaixador de Portugal em Maputo.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que acompanha há décadas o que se passa em Moçambique e quis deixar "uma palavra de esperança e uma palavra de fé" no futuro do país: "Nada é definitivo, as situações difíceis são ultrapassáveis. Nada é irreversível, o que existe é um momento difícil".

"Moçambique soube sempre dar a volta à situação. Mesmo nos momentos de maior dificuldade e maior pobreza soube reagir e soube dar a volta à situação. Já viveu momentos piores do que este, bastante piores. Vai dar a volta à situação", reforçou.

O chefe de Estado português disse que a situação de Moçambique "vai ser o objeto de compreensão" durante a sua visita ao país e que só na quarta-feira terá os contactos políticos e institucionais que lhe permitirão "compreender efetivamente como está a realidade moçambicana".

Para Marcelo Rebelo de Sousa, os empresários portugueses com quem contactou têm intenção de "avançar com novos projetos", apesar quadro económico-financeiro.

"Há uma vontade muito grande de permanecer, continuar e ir mais longe. E a minha presença aqui quer dizer: vamos em frente, apostemos nisso, resistamos às vezes aos momentos mais difíceis - porque é nos momentos mais difíceis que se veem os amigos", acrescentou.