Marcelo Rebelo de Sousa criticou e lamentou este domingo o facto do PSD por não ter uma estratégia para as presidenciais, sublinhado que a esquerda parte em vantagem para as legislativas, mas também para as Presidenciais. O possível candidato a Belém assume ainda que mesmo o candidato da direita com mais intenções de voto parte em «desvantagem» para as eleições.

«As várias esquerdas têm uma estratégia. O mais surpreendente é a direita não ter estratégia nenhuma em relação às legislativas, como não tem em relação às presidenciais. Enfim, é a vida», disse no Jornal das 8.


Sobre a comparação de valores na sondagem do Expresso entre o próprio Marcelo Rebelo de Sousa, António Guterres e António Vitorino, Marcelo considera que o resultado é «a coisa mais expectável do mundo».

«É a coisa mais expectável do mundo. Com a esquerda com a amplitude de voto com que está. Qualquer candidato à direita, mesmo que seja o que tem mais intenções de voto à direita, pode não ser daqui a três meses, seis meses, isto muda, parte numa posição desvantajosa porque são duas campanhas simultâneas e parte atado a uma aérea política que mesmo que alargue essa área é uma área que puxa para baixo, não puxa para cima», defendeu.


Sobre António Vitorino, Marcelo Rebelo de Sousa considera que o último resultado das sondagens era expectável e explica as razões.

«Quando a esquerda tem dois terços para as legislativas, e as eleições vão ser coladas, e a direita um terço quer dizer que o candidato presidencial da direita tem de saltar de 34% para 50,1% para ganhar. Enquanto que o candidato de esquerda, basta que não haja erros de divisão dentro do Partido Socialista e o Partido Socialista está a gerir muitíssimo bem esta matéria», defendeu.


Marcelo Rebelo de Sousa justificou os elogios ao PS com uma crítica implícita à atual divisão de candidatos no PSD, com as disponibilidades de Pedro Santana Lopes e Rui Rio.

«Porquê? Porque está em compasso de espera para Guterres, pelo sim pelo não, para a hipótese de ele não aparecer, vai pondo ao forno, vai pondo em lume brando, António Vitorino. Mas sem divisões, tudo combinado. Não é António Vitorino, contra António Guterres, não há ainda dois ou três a disputarem o mesmo espaço. É tudo gerido por António Costa», explicou.


Marcelo acabou por assumir que a esquerda está em vantagem. «A esquerda parte neste momento, e estamos a oito meses de eleições legislativas e estamos a um ano de presidenciais, com uma vantagem clara, esmagadora, em matéria de legislativas e com uma vantagem, menos clara, mas uma vantagem nas Presidenciais», afirmou.

O comentador da TVI foi mais longe e considerou mesmo que o candidato do PS, seja qual for, parte com vantagem.

«Não é inevitável, mas o candidato do PS parte com uma grande vantagem, seja ele Guterres, seja ele Vitorino.»

 
Sobre as legislativas, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que as sondagens mais recentes mostram, por um lado que a liderança de Costa não veio alterar significativamente os números do PS e por outro que o PSD precisa da coligação e não é apenas o CDS a necessitar dos sociais-democratas.