O estatuto de "celebridade televisiva" de Marcelo Rebelo de Sousa beneficiou a notoriedade do ex-comentador político enquanto candidato presidencial, segundo um estudo do ISCTE, que faz notar que isso explica a disparidade de "atenção mediática" na campanha.

O professor foi o "mais privilegiado" na comunicação social entre 2014 e 2015, lê-se na análise do Barómetro de Notícias do Laboratório de Ciências de Comunicação do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, comparando os destaques noticiosos numa base de dados com 37 mil entradas.

O ex-comentador político teve "mais 50% de destaque do que Sampaio da Nóvoa e mais 200% de que Maria de Belém ou Marisa Matias", indica o estudo.

Um dos autores, Gustavo Cardoso, explicou à Agência Lusa que na medição da notoriedade daqueles quatro candidatos surgem notícias na qualidade de candidato e outras em que o próprio foi notícia por outras razões.


"A notoriedade pré-existente à qualidade de candidato cria tração para depois aumentar o número de notícias como candidato. Quanto mais celebridade mediática se é, maior é o impacto no número de destaques como candidato".


Numa análise à cobertura das apresentações públicas das candidaturas, o estudo conclui que Marcelo Rebelo de Sousa e Sampaio da Nóvoa foram os que tiveram mais destaque mediático e que, entre os dois, se registou uma elevada disparidade.

Nos 15 dias antes e nos 15 dias posteriores ao lançamento da sua candidatura, a 9 de outubro de 2015, Marcelo Rebelo de Sousa teve 61 destaques de abertura de noticiários ou primeiras páginas em diferentes meios de comunicação social, enquanto a Sampaio da Nóvoa – que se apresentou como candidato a 29 de abril - foram apenas conferidos 15 destaques.

O projeto do Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE quis analisar a presença dos candidatos na comunicação social, já que a igualdade ou desigualdade no acesso ao campo mediático tem sido um dos temas da pré-campanha, referem os investigadores, no documento hoje divulgado.

O destaque noticioso é definido, na análise semanal do Barómetro do ISCTE, como as peças noticiosas publicadas com maior destaque na imprensa diária generalista (DN, JN, CM, PÚBLICO, I) e páginas Web de órgãos de comunicação social (EXPRESSO ONLINE, TVI24 ONLINE, SIC NOTICIAS ONLINE, PÚBLICO ONLINE, SOL ONLINE) e as primeiras peças publicadas em três noticiários da manhã na Rádio (RR, ANTENA1 E TSF) e nos três principais programas de informação das 20 horas nos 3 canais generalistas (RTP1, SIC, TVI).

Foram analisados os quatro candidatos "com mais notoriedade" na comunicação social nos últimos dois anos.

Os eleitores são chamados a escolher o próximo Presidente da República a 24 de janeiro. Constarão 10 candidatos nos boletins de voto: Cândido Ferreira, Edgar Silva, Henrique Neto, Jorge Sequeira, Marcelo Rebelo de Sousa, Maria de Belém, Marisa Matias, Paulo de Morais, Sampaio da Nóvoa e Vitorino Silva.