O Presidente da República, que esta terça-feira esteve novamente com António Guterres, afirmou que está em Nova Iorque focado na candidatura do ex-primeiro-ministro socialista a secretário-geral da ONU, sem tempo “para apurar o que se passa em Portugal".

Marcelo Rebelo de Sousa escusou-se assim a comentar questões nacionais, como a polémica em torno de declarações da deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua sobre política fiscal.

"Sabem que eu tenho um princípio que é não comentar no estrangeiro o que acontece em Portugal, e acresce que neste caso estou tão concentrado numa prioridade nacional que é de todos os portugueses que não tenho tido tempo sequer para apurar o que se passa em Portugal, muito menos para opinar sobre o que se passa em Portugal", declarou o chefe de Estado.

Perante outras perguntas dos jornalistas, o Presidente da República reiterou que está em Nova Iorque na candidatura do antigo primeiro-ministro António Guterres a secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Estou tão focado nesta prioridade que, francamente, o resto me parece, com o devido respeito, muito menos relevante", disse.

Quanto à escolha do próximo secretário-geral da ONU, Marcelo Rebelo de Sousa declarou-se "confiante na boa escolha das Nações Unidas" e desvalorizou a preferência de alguns por uma mulher, frisando que neste momento já se está "na ponta final do caminho".

"Faltam poucas semanas. Depois há uma história passada que um dia será contada: se houve ou não houve quem gostasse de A e de B e de C - e houve quem gostasse de muita gente, porque houve muitos candidatos. Agora, o que interessa quando se está na ponta final do caminho é verdadeiramente com serenidade fazer esse troço final, é o que estamos a fazer", sustentou.

O Presidente da República disse ter sentido, nas conversas que teve até agora, "que há uma compreensão crescente da importância da decisão sobre o secretário-geral das Nações Unidas e também a compreensão das qualidades indiscutíveis do senhor engenheiro António Guterres.

Marcelo Rebelo de Sousa não quis falar, em particular, da posição de Espanha e do Brasil, mas salientou as votações que Guterres tem conseguido.

"Quando se chega em 15 votos a 12 votos, significa que tem de haver 12 países a votar. E nesses 12 países é natural que no leque daqueles que compreendem a importância candidatura caibam os amigos e aqueles que têm connosco uma relação mais fraterna desde sempre", considerou.