O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recusou comentar a audiência que teve na quinta-feira com os responsáveis do movimento "Defesa da Escola Ponto", que contesta os cortes nos contratos de associação.

"Ouvi, acho que fiquei informado. Fiquei mais informado do que estava, mas não tenho nada a comentar", disse o chefe de Estado.

As declarações foram feitas após alguns órgãos de comunicação social terem noticiado hoje que o Presidente da República não se revê no comunicado do movimento, divulgado depois da audiência, e citando uma fonte oficial de Belém.

Após o encontro, os responsáveis do movimento disseram ter recebido a garantia do chefe de Estado de que iria procurar conseguir "um ponto de equilíbrio", na conversa que vai ter esta sexta-feira ao fim da tarde com o primeiro-ministro.

"Eu recebo quem me pede audiências. Não comento as audiências. Portanto, não tenho nada a dizer", referiu Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas no final de uma visita à fábrica da Vista Alegre, que foi alvo de uma ampliação.

Na mesma altura, o Presidente da República disse que "tem muitos fogos para atacar", no seguimento de uma inconfidência que terá cometido ao conversar com o socialista Jorge Coelho, também presente nas cerimónias da noite da passada quinta-feira.

"Tenho muitas solicitações para visitas, visitas ao estrangeiro, visitas cá dentro. Muitas solicitações de audiência, muitos temas para abordar. Isso é bom. É a função do Presidente da República", esclareceu.

Serenidade e bom senso

O Presidente da República defendeu que o bom senso e a serenidade são as chaves para o período que Portugal atravessa, nomeadamente para conciliar ideologias e dois países, um que sofre e outro “que avança mais rapidamente”.

“É às vezes complicado ajustar o país que sofre com o que está a avançar mais rapidamente, aqueles que quereriam avançar mais rapidamente no crescimento e no emprego e os que estão preocupados com a estabilidade financeira. É precisamente na procura desse equilíbrio, na base do bom senso, que está a chave do período que estamos a viver”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em Ílhavo, Aveiro, onde encerrou uma visita de dois dias à Vista Alegre.

Para o Chefe de Estado, “é preciso ir vivendo com serenidade”, respeitando “as controvérsias doutrinárias e ideológicas” mas também “pondo os pés na realidade”, para “pegar na história e projetá-la para o presente e o futuro, introduzir inovação, apostar na indústria de qualidade, na exportação, e nos jovens” e tendo “presente o papel fundamental do turismo”.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, é isto que a Vista Alegre tem feito, dando-lhe motivos para, no fim desta visita de dois dias, acreditar que Portugal tem futuro”.