O Presidente da República fez um balanço "muito positivo" da sua visita a Paris e realçou a boa relação com o chefe de Estado francês, salientando a importância das "empatias pessoais" na política.

No final de uma visita à delegação parisiense da Fundação Calouste Gulbenkian, Marcelo Rebelo de Sousa disse que o encontro com François Hollande "ultrapassou as expetativas" e foi um dos aspetos positivos desta deslocação a Paris com o primeiro-ministro para comemorar o Dia de Portugal.

Houve "uma convergência de posições sobre a Europa, desde logo numa parte importante, que é a questão financeira, orçamental, mas depois sobre todos os grandes temas europeus", referiu, destacando também "o prazer com que o Presidente francês estava na reunião com os portugueses" realizada na Câmara Municipal de Paris.

"Isso foi muito importante, porque sabem que a política se faz de empatias pessoais, a política faz-se com pessoas, não se faz só com ideias. E quando as pessoas se dão é uma coisa, quando as pessoas não se entendem é outra coisa", acrescentou o Presidente da República, que referiu ainda que Hollande mostrou estar "muito bem informado sobre Portugal".

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o convívio com os portugueses superou igualmente as expetativas.

"A comunidade portuguesa aderiu em peso em todos os momentos, mais formal, com as condecorações dos heróis do fim do ano passado, até à homenagem àqueles que foram precursores, vieram para aqui há 50 anos e certamente continuará hoje com a festa da Rádio Alfa", disse.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "há uma moda de Portugal em França", com um turismo que não existia há 50 anos e relações comerciais a um nível inédito: "Portanto, a França sente que é um parceiro muito qualificado de Portugal e Portugal percebe que a França é muito importante para a nossa sociedade, para a nossa economia".

Durante a visita à delegação parisiense da Gulbenkian, o chefe de Estado afirmou que "para os mais velhinhos, substancialmente francófonos", entre os quais se incluiu Paris "é o centro da Europa".

Esta delegação é dirigida por João Caraça, que é também o presidente da comissão organizadora das comemorações do Dia de Portugal realizadas, de forma inédita, em Paris.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que os dois se conhecem desde a infância. "Fomos contemporâneos, ele um génio na primeira classe, e eu um modesto aspirante a talento na infantil", descreveu.

 

Último dia com agenda preenchida

O Presidente da República discursou, à chuva, no palco da festa da Rádio Alfa, nos arredores de Paris, e retomou a mensagem de elogio ao povo, afirmando que "é melhor do que os políticos".

"O melhor que nós temos é o povo. Não é que os políticos também não sejam bons", ressalvou Marcelo Rebelo de Sousa, virando-se para o primeiro-ministro, António Costa, que também estava no palco. "Mas o povo é melhor do que os políticos", considerou.

Nesta altura, começou a chover com mais força e António Costa aproximou-se de guarda-chuva na mão para proteger o chefe de Estado.

"Estão a ver o que é a colaboração entre os dois poderes? Mas vejam bem, quem tem o guarda-chuva é o senhor primeiro-ministro de esquerda, quem é apoiado é o Presidente que veio da direita", observou Marcelo.