O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mostrou-se hoje satisfeito com o trabalho de prevenção dos incêndios florestais que tem vindo a ser feito, salientando o esforço das populações.

“As populações perceberam o dramatismo da situação, não querem repetições e deitaram mãos à obra”, afirmou aos jornalistas, durante uma visita ao concelho de Gouveia.

Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu que ainda há casos de árvores cujos ramos batem nas estradas, como hoje viu ao percorrer o concelho de Gouveia, no distrito da Guarda, mas salientou “o exemplo de reação das populações”.

“As autarquias, a Câmara Municipal, as freguesias, as populações estão a trabalhar. Agora, é uma corrida contra o tempo”, afirmou, lembrando que se trata “de uma realidade que não tem um ano”.

O Presidente da República disse sentir que “está a ser feito um grande esforço este ano para prevenir”, aproveitando para homenagear as autarquias, as populações, as empresas, o Governo e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

“Até mesmo o primeiro-ministro estar permanentemente em exercícios, em simulações, estar um pouco por toda a parte, tem essa preocupação”, considerou.

Apesar de ter “um programa um bocadinho carregado em junho”, Marcelo Rebelo de Sousa disse tencionar, em julho e agosto, tal como “o primeiro-ministro e outros responsáveis e autarcas, estar no máximo de sítios possível em termos de prevenção pela presença”.

“É estar lá, é correr os sítios. Penso que todos estamos vigilantes, queremos que corra bem para o país”, acrescentou.

 

“As pessoas não esquecem o que se passou, mas olham para a frente, mais do que olham para trás”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, ao discursar na Câmara de Gouveia, considerando que esta foi uma das lições que leva de cinco horas de visita a este concelho do distrito da Guarda.

O chefe de Estado disse que uma mulher lhe contou que uma amiga a foi buscar quando hesitava, “como muitos hesitaram, entre voltar atrás para ir salvar isto, aquilo, aqueloutro, no fundo, pedaços da vida, ou partir para outra vida”.

“E houve quem lhe pegasse e disse: ‘vamos, não olhe para trás’. E ela repetiu esta frase”, contou.

Na sua opinião, estas pessoas, “se olhassem para trás, só perdiam a capacidade de olharem para a frente”, ficando presas “de modo irremediável a esse passado”, quando “têm direito a um futuro”.

“É desse futuro, que já começou, que aqui falamos hoje. Demora tempo, demora. Aqui é uma casa que está adjudicada, mas ainda não começou a construção, ali já há uma decisão, mas falta agora desbloquear mais verbas para a concretização plena. Acolá é o maior atraso porque a situação é mais complexa”, enumerou.

No entanto, “mais além é alguém que já está realojado e que diz: ‘estou feliz na minha casa’”, frisou.

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu nunca ter pensado, depois do que aconteceu, sentir-se feliz como se sente hoje.

“Reganhei a felicidade. Isto são lições de vida. Preferia não as ter vivido? Preferia. Preferia que o país tivesse saltado por cima daqueles meses entre junho e outubro”, afirmou.

No entanto, “tendo existido, que lição esta de coragem, de persistência, de determinação de querer construir um futuro diferente”, sublinhou.

O Presidente da República destacou a fibra e o heroísmo destas pessoas e “a capacidade de não apenas manifestarem coragem no instante, mas manifestarem determinação continuada dia após dia, semana após semana, mês após mês”.

“E estamos a falar em mais de seis meses. Não desistiram, não desfaleceram, não pararam para olhar para trás, não duvidaram que era preciso seguir em frente”, acrescentou.

Na sequência dos incêndios do ano passado, o Presidente da República visitou hoje à tarde famílias realojadas, empresas afetadas que estão a ser apoiadas, trabalhos de recuperação de infraestruturas e projetos de reflorestação que estão a ser desenvolvidos.

A visita a este concelho do distrito da Guarda termina ao início da noite, com uma sessão na Câmara Municipal.