O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa afirmou esta sexta-feira que “finalmente” o processo do novo executivo está terminar, defendendo que o país precisa de um Governo de legislatura porque não é um problema de se gostar da orientação política.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião com a Confederação do Comércio e Serviços, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa disse aos jornalistas que "ouvidos os partidos hoje, finalmente o processo está a chegar ao fim", considerando que " isso é bom" porque o país precisa de ter Orçamento do Estado.

"O país precisa de um Governo de legislatura, não precisa de um Governo de seis meses ou oito meses. É assim que os portugueses todos, independentemente de gostarem ou não do Governo, pensam. Isto não é um problema de gostar ou não da orientação do Governo, é um problema de precisarmos de um Governo que dure."


O antigo comentador político deseja - como cidadão e se os portugueses o quiserem como futuro Presidente da República - "é que a solução governativa dure".

Na opinião do candidato a Belém, existe um consenso na opinião pública de que “o Orçamento é fundamental e que um Governo de gestão corrente não consegue aprovar um orçamento", considerando por isso que "não serve um Governo de gestão corrente".

"O país precisa agora de um Governo que aponte para a legislatura e é isso que tem de ser devidamente esclarecido pelos protagonistas", disse, sobre a solução de um Governo do PS, com apoio do BE, PCP e PEV, que foi apresentada ao Presidente da República.

No entanto, para Marcelo, "esse aprofundamento resulta das conversas que o senhor Presidente teve hoje com os partidos", avançando que nesta altura Cavaco Silva "tem certamente já nas mãos dados muito mais ricos do que aqueles que o comum dos cidadãos tem sobre se há ou não essas condições".

"Não deve demorar muito mais tempo a decidir", antecipou, defendendo que "deve haver um Governo que seja viável no parlamento e que dê condições de sustentabilidade, de durabilidade e de consistência porque não interessa a ninguém governos de seis meses ou oito meses".

Questionado sobre se daria posse a António Costa, o ex-presidente do PSD disse que no futuro, caso seja Presidente da República, empossará um Governo que lhe explique o seguinte: "Estou em condições de fazer votar, através da minha base de apoio parlamentar, um orçamento daqui por dois meses, três meses e tenho condições para durar".


Marcelo diz que pode não haver segunda volta nas Presidenciais


Marcelo falou ainda sobre as presidenciais, sublinhando que quando era comentador político achava inevitável uma segunda volta, mas neste momento admite que possa não haver, considerando "muito insensato" eleições mais tarde do que 24 de janeiro.

O candidato presidencial foi questionado sobre se acredita numa segunda volta nas eleições presidenciais, respondendo que quando era comentador político achava que esse era um cenário inevitável, mas neste momento, com os dados de que dispõe, admite que "possa não haver uma segunda volta".

Sobre a data para a qual foram marcadas as eleições presidenciais, o candidato a Belém considerou que esta é razoável, realçando que "pareceria muito insensato ser mais tarde porque se houvesse algum problema jurídico no processo eleitoral não haveria muito tempo até 9 de março".

"O novo Presidente toma posse no dia 9 de março. Em teoria ao menos há uma segunda volta que tem que se realizar três semanas depois. 24 de janeiro dá segunda volta a 14 de fevereiro", elencou, considerando que Cavaco Silva "decidiu na linha do que têm sido as últimas eleições que é à volta de 20 de janeiro".

Sobre se gostaria de ter o apoio do PSD numa primeira volta, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou que a sua candidatura "é independente" e que está "aberto a todos os apoios", não pedindo "apoios a ninguém", sejam eles partidos ou grupos de cidadãos, mas aceita quem o quiser apoiar.

"Mas isso não retira um milímetro à independência da minha candidatura porque também disse mais de uma vez: o Presidente não é um líder partidário. O Presidente existe para unir os portugueses e para representar todos os portugueses."