O Presidente da República desvalorizou, esta terça-feira, o conteúdo da sua entrevista à Rádio Renascença e ao jornal Público, considerando que não teve "grande novidade" e declarando que se sentiu a "fazer revisão da matéria dada".

Marcelo Rebelo de Sousa falava no final de iniciativa na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, questionado sobre a afirmação do primeiro-ministro, António Costa, de que "o senhor Presidente da República não manda recados ao Governo pelos jornais, dialoga diretamente com o Governo", feita a propósito da sua entrevista.

A entrevista diz o que tinha a dizer, está dito. Eu devo dizer que, ao ler a entrevista, fiquei com a sensação, em termos académicos, de que é revisão da matéria dada", respondeu o chefe de Estado aos jornalistas.

Referindo que "nesta altura do ano letivo há muito a revisão da matéria dada", o Presidente da República acrescentou: "E eu senti-me a fazer revisão da matéria dada nos vários temas, porque de uma forma ou de outra já tinha dito o que ali disse".

Questionado se já falou com o primeiro-ministro sobre a demissão do coronel António Paixão do cargo de comandante operacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Marcelo Rebelo de Sousa escusou-se a responder à pergunta: "Não vou fazer comentários sobre essa matéria".

Nesta conferência na Universidade Nova, dedicada ao tema da "Democracia 4.0", o Presidente da República voltou a considerar que os sistemas políticos têm de se adequar à velocidade dos acontecimentos nesta era digital e, nesse contexto, falou da frequência dos seus contactos com o primeiro-ministro.

O Presidente da República recebe o primeiro-ministro todas as quintas-feiras, mas obviamente tem de falar com o primeiro-ministro várias vezes e, porventura, com o conhecimento do primeiro-ministro, com membros do Governo, ao longo da semana, porque há acontecimentos que não esperam uma semana", disse.

Na entrevista que deu à Renascença e ao Público, divulgada entre segunda e terça-feira, o chefe de Estado avisou que que pode antecipar as eleições legislativas se o Orçamento do Estado para 2019 for chumbado e afirmou que não se recandidatará nas presidenciais de 2021, se houver uma nova tragédia como os incêndios do ano passado.