O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou esta sexta-feira que nos seus primeiros dois anos de mandato teve intervenções explicativas com funções preventivas e contribuiu para descrispar o clima político.

No dia em que completou dois anos na chefia do Estado, Marcelo Rebelo de Sousa assinalou a data com o lançamento de um livro intitulado "Dois anos depois: júbilo e tragédia" e falou sobre a forma como tem exercido funções, afirmando que não vai mudar e que não se melindra com as críticas.

Em resposta a questões dos jornalistas, na Sala de Jantar do Palácio de Belém, assegurou ainda que "não se vai meter em domínios que não são os seus, não se vai pôr no plano dos partidos, ou do Governo, ou da oposição", pois "não tem um papel a desempenhar, nem na oposição, nem no Governo".

Quanto às críticas, declarou: "A coisa mais natural em democracia é que haja críticas. O unanimismo não existe senão em ditaduras. Como é que eu reajo? Pois eu passei a minha vida como comentador a criticar, seria estranho que como Presidente da República eu me melindrasse quando os outros me critiquem quando eu critiquei os outros".

O chefe de Estado referiu que recebeu "críticas iniciais sobre uma extroversão excessiva" e disse que a sua atividade intensa "foi intencional, tinha a ver com a proximidade, decorre da maneira de ser do Presidente e decorria da situação vivida pelo país", mas também foi reforçada devido a "momentos trágicos em que isso foi mais necessário".

Depois, adiantou que "o facto de intervir muito não quer dizer que não seja tudo devidamente pesado" e que o fez "muitas vezes com funções preventivas".

Quando entendo que há certas realidades que precisam de ser explicadas rapidamente, antes que se convertam numa bola de neve de difícil explicação ou de efeitos mais complexos, mais vale não deixar que se convertam numa bola de neve e intervir rapidamente", enquadrou.

No seu entender, nestes dois anos houve "um número muito pequeno de vetos" face à quantidade de diplomas que lhe chegaram e o seu relacionamento com os outros órgãos de soberania tem sido "muito pacífico – mais do que pacífico, muito cordial".

Como tem sido com os partidos políticos, todos eles. O facto de nos encontrarmos com periodicidade desdramatizou os encontros: não é para dissolver o parlamento, não é por causa de uma crise, é para falarmos do país, naturalmente. E o mesmo com os parceiros sociais. Isso foi positivo. Foi aquilo que se chamou descrispar", considerou.

O Presidente da República mencionou que há quem entenda que "deveria ser muito mais duro" ou então que "foi violento a mais numa ou noutra intervenção em relação ao Governo".

Sobre a relação com o Governo, acrescentou: "Entendi que, no dia a dia, era muito importante haver um trabalho conjunto, como continuo a entender, perante os desafios que o país tem pela frente. Em momentos críticos em que senti que havia o risco de descolagem do país em relação ao poder político, aí, fui, se quiserem, um pouco mais incisivo, para que não houvesse uma abertura para riscos populistas".

O Presidente é o fusível de segurança do sistema. Se o Presidente não está lá nesses momentos cruciais, que são poucos, por natureza, são excecionais, aparece alguém a estar", sustentou.

Ainda a propósito das críticas ao seu exercício do cargo, Marcelo Rebelo de Sousa observou que "quem não está preparado para estar muito impopular, então o melhor é dedicar-se a outra atividade que não à atividade política".

Nos próximos dois anos, prometeu "manter exatamente o mesmo tipo de comportamento", defendendo que o Presidente "tem de ser frio a pensar, tem de ser medido nas declarações e medido no pensamento, e depois tem de ser muito presente, muito próximo das pessoas e muito próxima em termos afetivos".

No essencial, não vai mudar o seu comportamento. Quer estabilidade, lutará pela estabilidade. Quer Governo até ao final da legislatura, lutará por Governo até ao final da legislatura. Quer uma área de Governo forte, lutará por área de Governo forte. Quer oposições fortes, lutará por oposições fortes. Quer prestígio das instituições, lutará por prestígio das instituições. Quer mais crescimento, quer mais igualdade onde há desigualdades, lutará por isso", elencou.