O Presidente da República Portuguesa defendeu esta quinta-feira como solução para a crise da União Europeia (UE) em várias matérias maior integração, nomeadamente dos países do oeste balcânico, e respostas mais rápidas por parte das diversas instituições.

"Éramos poucos, somos muito mais hoje e vamos ser mais amanhã. É a maneira da Europa ser mais forte, com mais e não com menos Europa", resumiu Marcelo Rebelo de Sousa, na conferência de imprensa final do 12.º encontro do Grupo de Arraiolos, que reuniu entre quarta-feira e hoje 10 chefes de Estado europeus sem poderes executivos na Bulgária.

A primeira reunião do Grupo de Arraiolos, então de seis Chefes de Estado (Portugal, Alemanha, Finlândia, Hungria, Letónia e Polónia) ocorreu em outubro de 2003, na vila portuguesa de Arraiolos, por iniciativa do antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, subordinada ao tema do alargamento europeu a leste.

"Nenhum de nos está em negação. Todos sabemos que não podemos negar fatores internos e externos de crise na UE - económica, social, política, geoestratégica. Existe, está aqui. Não é só o "Brexit" (saída do Reino Unido dos 28). Estamos a par dos riscos de xenofobia, nacionalismo, ceticismo", elencou.

O Chefe de Estado português afirmou que "a resposta tem de ser positiva, não negativa".

"Acreditamos na Europa e na UE. Lembremos o que elas queriam dizer comparado com a situação com que nos deparamos hoje. Significou muitas mudanças nas nossas vidas. No médio e longo prazo, migrações não podemos evitar de pensar nas causas (guerras, fatores demográficos, mudanças em zonas fronteiras). Europa tem de ter respostas", afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa declarou ser "um grave erro não dar um sinal claro da UE para esses estados dos Balcãs (Macedónia, Montenegro, Sérvia, Albânia, Bósnia-Herzegovina e Kosovo) acerca da possibilidade e da capacidade de construir paz, segurança e uma sociedade justa e uma economia em crescimento - a integração é a solução".

"Esperámos demasiado tempo noutros campos. Esse foi o problema da Europa. Acreditamos na UE e numa capacidade mais forte e rápida de decisão, respeitando os princípios da subsidiariedade, mas sabendo que a integração foi a chave da paz e segurança nos nossos países", disse.

O homólogo alemão de Marcelo foi outro dos presentes a concordar com a opinião generalizada de que vale a pena investir no modelo europeu e no "consenso entre todos de que há vantagem em estar juntos em vez de isoladamente até porque se testemunham os medos e preocupações das pessoas com reflexo nos políticos", referindo-se aos problemas das migrações, segurança das fronteiras externas, crescimento económico e desemprego.

"Outros países dos Balcãs (além da Roménia e da Bulgária), quando terão as condições para integrar a UE? A questão mais importante na cabeça dos cidadãos europeus é a segurança. As migrações são consequência da crise global. Há que reforçar e proteger as fronteiras externas, sobretudo nos países mais próximos das zonas de crise. Os refugiados devem ser assistidos, mas também devem sê-lo pelos Estados Unidos, China, estados do Golfo Pérsico", defendeu o presidente húngaro, Janos Ader.

O chefe de Estado de Itália, Sergio Mattarella, concordou completamente com o representante húngaro na necessidade de "intensificar a cooperação e políticas comuns" para resolver as "dificuldades económico-financeiras", o "emprego para a juventude", as "migrações", a "monitorização das fronteiras externas" e sugeriu "repensar o asilo", além de argumentar que "o terrorismo requer uma política de segurança comum".

Por seu turno, o presidente da Eslovénia, Borut Pahor, citou o presidente da Comissão Europeia, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, que dissera na véspera que a UE não é os Estados Unidos da Europa para advogar maior aprofundamento das relações entre estados-membros.

"Talvez no futuro, a longo prazo, seremos uns Estados Unidos da Europa. Se tivesse que escolher entre isso e a desintegração, não teria dúvidas em correr o risco da primeira hipótese", declarou, alertando para que o processo de alargamento no oeste dos Balcãs "sensível e político".

O 13.º encontro do Grupo de Arraiolos, do qual fazem parte Portugal, Alemanha, Itália, Áustria, Polónia, Hungria, Bulgária, Estónia, Finlândia, Letónia, Hungria, Eslovénia e Malta, vai realizar-se em 2017 precisamente neste último país.