O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa defendeu hoje numa conferência na Universidade dos Açores que "o grande desafio da sociedade portuguesa nos próximos anos" é de "crescer economicamente e de ter uma sociedade mais justa".

"Nós precisamos de crescer economicamente e precisamos de tornar mais justa a sociedade portuguesa mas só é possível torná-la mais justa se crescermos, ela tem de ter a estabilidade financeira suficiente para poder crescer e tem de crescer o suficiente para poder ser mais justa. Esse é um grande desafio da sociedade portuguesa nos próximos anos".


O candidato às eleições presidenciais do próximo ano falava esta noite na conferência "Os Açores, Portugal, a Europa e o Mundo em 2015", num anfiteatro da academia açoriana, em Ponta Delgada, com capacidade para duzentas pessoas sentadas e que foi manifestamente insuficiente para acolher todas as pessoas que se dirigiram ao local.

Marcelo Rebelo de Sousa fundamentava a sua opinião lembrando que "as sociedades com melhores indicadores de desenvolvimento humano" são aquelas em que há maior homogeneidade social com classes médias mais fortes, menores desigualdades, menores indicadores de pobreza ou risco de pobreza.

Segundo o professor universitário, para que Portugal consiga atingir esses dois objetivos, de "crescer economicamente e de ter uma sociedade mais justa", é preciso que as instituições "não sejam obstáculo a este processo".

"Eu já vos disse que as instituições têm um problema: é que vão sempre a reboque dos acontecimentos, é preciso que para além disso as instituições não sejam um obstáculo a este processo", afirmou.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, no plano institucional a sociedade portuguesa precisa de "aproximar as pessoas, evitar o deslaçar do tecido social" e "recuperar os consensos de regime" porque "os regimes económicos, sociais e políticos fazem-se de alguns consensos".

O candidato a Presidente da República assumiu-se ainda como defensor da autonomia das Regiões Autónomas lembrando que votou "como constituinte a autonomia político-legislativa dos Açores e da Madeira".

"É uma boa notícia para todos os portugueses quando os açorianos afirmam a sua autonomia, não é uma má notícia, é uma boa notícia para Portugal e para os portugueses, por isso eu votei como constituinte a autonomia político-legislativa dos Açores e da Madeira, por isso eu nos processos de revisão, que acompanhei de perto, trabalhei sempre no quadro desse aprofundamento, achei que era bom, que era positivo", disse.

Marcelo Rebelo de Sousa defende que a riqueza da região está numa diferença "no quadro universal e no quadro nacional".

"A autonomia é um corolário dessa diferença e a manifestação e a expressão da autonomia não é uma invenção jurídica, não é uma confabulação jurídica é o resultado do reconhecimento de que é bom para todos haver autonomia como forma de consagração no direito e na política dessa consagração", sublinhou.

Marcelo Rebelo de Sousa falou ainda da sua candidatura à Presidência da República como sendo "a projeção" da sua opção académica.

"O passo que eu dei que não foi um passo estritamente académico mas é evidente que é a projeção da minha opção académica. A minha vocação é ser professor e um professor tanto é de cem pessoas, como de quinhentas, como de mil, como de dois milhões ou de dez milhões, se for caso disso", afirmou.