O comentador político Marcelo Rebelo de Sousa defendeu esta quarta-feira que o ideal para a economia seria um modelo que integrasse propostas do PSD/CDS-PP e do PS para aumentar a competitividade das empresas e reduzir os impostos das famílias.

«Eu acho que o ideal seria um modelo misto, em que fosse possível obviamente apostar na competição das empresas e ir ao mesmo tempo desagravando os impostos das famílias», afirmou, sublinhando que o «ideal seria uma convergência das duas [PSD/CDS-PP e PS] no sentido do centro direita olhar um bocadinho mais para as famílias e o PS olhar um bocadinho mais para as empresas».


O ex-líder do PSD e um dos potenciais candidatos à Presidência da República falava à agência Lusa em Lisboa à margem de uma conferência sobre os 40 anos da Assembleia Constituinte.

Questionado sobre o cenário macroeconómico apresentado na terça-feira pelo PS, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que a proposta socialista é mais «sedutora para o eleitorado, é muito mais eleitoralista, mais arriscada do ponto de vista das previsões, porque mais otimista».

O comentador e ex-líder social-democrata falou ainda das diferenças entre as propostas da maioria PSD/CDS-PP e as do PS.

«PSD e CDS acreditam que só é possível regressar a uma normalidade económica em quatro anos, o PS acredita que é possível regressar em dois anos. Enquanto PSD e CDS entendem que o caminho para regressar é baixar os impostos das empresas e baixar mais lentamente os impostos das pessoas e criar condições para a maior competitividade das empresas, o PS entende que é mais importante baixar rapidamente os impostos das pessoas e é menos importante baixar os impostos das empresas, o que significa que acredita que o crescimento se vai dar pelo consumo das pessoas e não pela atividade das empresas», considerou.


Marcelo Rebelo de Sousa concluiu por isso que “isto dá uma divisão que é tradicional” entre os governos de centro direita e os governos socialistas.

«A dúvida que tenho, e tenho em relação a todos, mas tenho mais em relação ao PS é de saber se as previsões não são otimistas a mais. Eu já considerava as previsões do PSD e do CDS porventura otimistas, pelo estado em que está a Europa e com a incógnita em que está a Grécia mas as do PS são mais otimistas porque acham que a economia acelera mais cedo», referiu.


Contudo, salientou o comentador, PSD/CDS-PP e PS têm em comum nas propostas apresentadas nos últimos dias «o respeito pela União Europeia, o euro e os limites em relação ao défice».

Tanto o PS como o Governo PSD/CDS-PP defendem que a reposição salarial e a eliminação da sobretaxa de IRS seja gradual, mas os socialistas entendem que pode ser feita mais depressa do que o executivo.

O grupo de economistas que elaborou o estudo para o partido de António Costa e o executivo liderado por Pedro Passos Coelho entendem que os cortes salariais e a sobretaxa de IRS são para acabar na próxima legislatura, mas com ritmos diferentes: o PS quer repor os salários em dois anos e acabar com a sobretaxa em 2017 e o Governo considera que essas duas medidas só são possíveis em 2019.