O comentador Marcelo Rebelo de Sousa criticou hoje o líder socialista, António Costa, por recusar “acordos de regime” e rejeitar viabilizar o Orçamento de Estado (OE) para 2016 em caso de vitória da coligação PSD/CDS-PP.

Marcelo Rebelo Sousa, em Braga, comparou mesmo o líder do PS a um "menino" que só vai a jogo se souber que é vencedor e sublinhou a necessidade de "acordos de regime" em algumas áreas para o país "arrancar".

Esta manhã, em entrevista à Antena 1, o secretário-geral do PS, António Costa, afirmou que não viabilizará o Orçamento de Estado (OE) para 2016 caso a coligação Portugal à Frente (PaF) ganhe as eleições legislativas de 04 de outubro.

“A última coisa que fazia sentido é o voto no PS, que é um voto de pessoas que querem mudar de política, servisse depois para manter esta política. É evidente que não viabilizaremos, nem há acordo possível entre o PS e a coligação de direita”, disse António Costa.


O ex-líder do PSD criticou o PS por não aceitar sentar-se à mesa com a coligação para celebrarem "acordos de regime" em áreas como a Saúde, Educação e Segurança Social, pelo que a "escolha" dia 04 será entre quem propõe aqueles acordos, PSD/CDS-PP, e quem os recusa, PS.

"De um lado, temos a proposta da coligação, que vai no sentido da governabilidade. Do outro lado, temos declarações do líder do PS no sentido de que se os portugueses escolherem dar a vitória à coligação, ele se recusa a criar condições para que ela possa governar, recusa-se a viabilizar o OE para 2016", contextualizou.

Marcelo disse ter “muita dificuldade em perceber isto”.

“Sobretudo, porque me faz lembrar um bocadinho aquele menino que só aceitava o resultado do jogo se ganhasse. Só aceitava jogar o jogo de futebol se soubesse, à partida, que era vencedor", comparou e finalizou, dizendo que "é muito difícil viver com regras a democracia, não aceitando aquilo que venha a ser a escolha dos portugueses".

"Isto só arranca se houver um consenso alargado quanto a certas políticas. São precisos consensos de regime no domínio dos setores sociais, como (…) na reforma da Administração Publica, reforma da Justiça, nas grandes linhas das Finanças", continuou Marcelo Rebelo de Sousa.

Para o professor, "não é possível em Portugal, nem em nenhuma democracia mais avançada, não haver consensos nessas áreas".

Assim, alertou, "os portugueses, quando votarem, têm de ter a noção de que a escolha é entre quem tem a ideia clara que, para o bem do país, é preciso sentarem-se à mesa os principais partidos políticos e que querem em conjunto definir consensos de regime [PSD e CDS-PP] nestes domínios, e o PS, que não quer consensos de regime".

"Agora, cabe ao portugueses. Têm o queijo e a faca na mão", concluiu.