O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou esta quinta-feira, no Porto, estar convicto de que o Reino Unido continuará a ser membro da União Europeia (UE).

Continuo notívago, estarei às 04:00, se tudo correr como espero, a comemorar uma decisão no sentido de que o Reino Unido continuará a ser União Europeia”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, no Seminário Maior do Porto, onde se realiza o jantar de São João, e que conta também com a presença do primeiro-ministro, António Costa.

As mesas de voto no Reino Unido abriram às 07:00, dando início à votação no referendo sobre a saída ou permanência do país na União Europeia, e encerraram às 22:00. As primeiras projeções apontam para uma vitória da permanência: 52% contra 48%.

Um número recorde de 46,5 milhões de eleitores foram chamados às urnas. Os resultados finais devem começar a ser divulgados no final da madrugada ou princípio da manhã de sexta-feira.

No referendo de hoje é colocada a questão “Deve o Reino Unido permanecer como membro da União Europeia ou abandonar a União Europeia?”, assinalando uma de duas opções – “Permanecer na União Europeia” ou “Sair da União Europeia”.

MNE português: eventual vitória da permanência é "vitória política"

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, defendeu, esta quinta-feira à noite, que a eventual vitória do "Sim" no referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia representa "uma vitória política" e afastou problemas para a comunidade portuguesa naquele país.

Se os cidadãos britânicos tiverem optado pela permanência, será uma vitória política para toda a Europa e para o Reino Unido, em particular, mas vamos aguardar os resultados", disse aos jornalistas Augusto Santos Silva, numa altura em que a última sondagem aponta para a vitória do "Sim" com 52%.

O ministro reiterou o empenho do Governo português num acompanhamento da aplicação do acordo, de fevereiro passado, entre os 27 Estados-membros e o executivo britânico e disse acreditar que "não resultará nenhum problema para as comunidades portuguesas que não seja gerível e solucionável", desde que se contenha naquilo que foi acordado.

Qualquer que seja o resultado, os interesses dos emigrantes e das comunidades portuguesas no Reino Unido estão a ser bem defendidos pelo Governo e serão acautelados pelo Governo no próximo futuro", acrescentou Santos Silva, que falava aos jornalistas à saída do aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, à chegada de Bruxelas, onde hoje se reuniu com vários comissários europeus.

 

Se, como espero, a decisão do Reino Unido for no sentido da permanência, o que nós temos de fazer é acompanhar com muito cuidado e de forma muito próxima o processo subsequente de tradução em legislação própria do acordado no Conselho de fevereiro entre 27 Estados-membros e o Governo britânico, com uma preocupação muito simples e muito clara: é que a concretização do que foi acordado se contenha nos limites do que foi acordado", disse o chefe da diplomacia portuguesa.

Santos Silva acrescentou: "Se se contiver, como certamente se vai conter, julgo que não resultará nenhum problema para as comunidades portuguesas que não seja gerível e solucionável".

Passos Coelho: "Europa não será a mesma"

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, reiterou que depois do referendo no Reino Unido à permanência na União Europeia, "a Europa não será a mesma" e defendeu a necessidade de reforço do compromisso europeu.

Depois deste referendo, a Europa não será a mesma, aconteça o que acontecer, ganhe a saída ou a permanência do Reino Unido na União Europeia. Nós precisamos de reforçar muito o nosso compromisso europeu", afirmou Pedro Passos Coelho aos jornalistas, à margem da apresentação de uma revista da JSD, em Lisboa.

 

O risco de outro tipo de referendos poder vir a ser suscitado em outros países é um risco muito evidente. O seu exercício não nos deve assustar, na medida em que concebo uma Europa de nações e de países independentes que tem soberania para tomar decisões sobre estas matérias", defendeu.

"Se porventura na Europa um número importante de países viesse a rejeitar o projeto europeu, eu não acredito a Europa vivesse melhor e que o conjunto dos europeus tivesse um horizonte de maior prosperidade, de maior controlo sobre as suas decisões da sua vida, no mundo global em que vivemos", afirmou.

"Pelo contrário, seria um retrocesso muito grande. A Europa está ficar cada vez menos central no mundo global e uma das formas de reforçar essa centralidade é o de reforçar o projeto europeu, tirando todas as ilações do que tem funcionado menos bem e que motiva muitas vezes níveis de insatisfação em relação as Bruxelas e à União Europeia", acrescentou.