O Presidente da República "reafirma, de modo ainda mais incisivo e preocupado, a exigência de esclarecimento cabal do ocorrido com armamento em Tancos", escreve uma curta nota da presidência publicada ao início deste sábado, dia em que o semanário Expresso dá conta que "ainda há explosivos de Tancos à solta".

Na curta "nota sobre desaparecimento de armamento em Tancos", Marcelo Rebelo de Sousa conclui ser necessário "o apuramento dos factos e a eventual decorrente responsabilização".

Tem a certeza de que nenhuma questão envolvendo a conduta de entidades policiais encarregadas da investigação criminal, sob a direção do Ministério Público, poderá prejudicar o conhecimento, pelos Portugueses, dos resultados dessa investigação. Que o mesmo é dizer o apuramento dos factos e a eventual decorrente responsabilização", conclui a Presidência. 

Já a 1 de março passado, o Presidente da República defendeu uma investigação “mais longe e a fundo” aos casos que envolveram as Forças Armadas nos últimos tempos, como o do desaparecimento de armamento do paiol de Tancos.

O alerta foi deixado por Marcelo Rebelo de Sousa na cerimónia de posse do novo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMFA), almirante António Silva Ribeiro, no Palácio de Belém, em Lisboa, e em que falou nos desafios e dificuldades da instituição nos últimos anos.

Agora, a nota da Presidência é publicada no dia em que o semanário Expresso afirma que "ao contrário do divulgado pelo Exército, o Ministério Pùblico diz que ainda há material militar desaparecido".

O jornal dá conta que procuradores "revelaram num recurso, que, ao contrário do que tinha sido veiculado pelo Exército e pelo Ministério da Defesa, ainda há granadas e explosivos que não foram devolvidos".

O jornal salienta que em causa estão granadas e explosivos, referindo que o Ministério Público considera que "a segurança nacional está em perigo enquanto os assaltantes não forem capturados".

Em outubro do ano passado, após uma denúncia anónima, a Polícia Judiciária (PJ) Militar recuperou quase todo o material militar roubado na Base Militar de Tancos na Chamusca, no distrito de Santarém, à exceção das munições de 9 milímetros.

Ao que então foi revelado, foram encontradas 44 armas de guerra, granadas de mão ofensivas, granadas foguete anticarro, granadas de gás lacrimogéneo e explosivos.

Mais. Entre o material encontrado, num campo aberto na Chamusca, num local a 21 quilómetros da base de Tancos, havia uma caixa com cem explosivos pequenos, de 200 gramas, que não constava da relação inicial do que tinha sido roubado..

O furto de material militar de Tancos, instalação entretanto desativada, foi detetado a 28 de junho durante uma ronda móvel, pelas 16:30, por um sargento e um praça ao serviço do Regimento de Engenharia 1.