O Presidente da República valorizou, neste domingo, os apoios financeiros que serão investidos na reconstrução da ilha da Madeira, após os incêndios, quando comparados com os valores avançados por Itália para fazer face aos danos do terramoto da semana passada.

Aqui já houve, entre linhas de crédito e decisões apalavradas, 60 e tal milhões avançados. Em Itália, com aquela tragédia [terramoto], o Governo de [Matteo] Renzi anunciou 50 milhões. Quer dizer, nós, portugueses, apesar de tudo, tivemos capacidade e uma generosidade financeira. Começando a falar em números, são números que, comparados com aquilo que nós lá vimos, se alguém é considerado apertado não somos nós", disse Marcelo Rebelo de Sousa no lugar da Cancela, arredores do Funchal (ilha da Madeira).

O chefe de Estado falava aos jornalistas sobre os apoios já garantidos para a ajuda à ilha no valor de 62,5 milhões de euros e após ter estado com 16 famílias que ficaram sem casa na sequência dos incêndios da segunda semana de agosto e que se encontram alojadas temporariamente nesta zona residencial.

Marcelo Rebelo de Sousa chegou hoje à Ilha da Madeira para uma visita de três dias a esta Região Autónoma.

A visita iniciou-se no Regimento de Guarnição n.º 3, onde o Presidente esteve mais de uma hora, dirigindo-se depois para a Cancela para se encontrar com as vítimas dos incêndios.

No campo desportivo na urbanização fez questão de falar mais demoradamente com os novos habitantes (84 no total), cumprimentando todas as pessoas que ali o esperavam.

Marcelo Rebelo de Sousa questionou os moradores sobre se já tinham eletrodomésticos e quis saber se os mais pequenos já estavam a pensar no regresso às aulas.

"Estão preparados para voltar à escola?", questionou, referindo depois que "é preciso pensar nisso porque as escolas são no Funchal". De imediato, a secretária Regional da Inclusão e Assuntos Sociais, Rubina Leal, disse que já foi criado um gabinete para o efeito.

Marcelo leu ainda uma carta de boas-vindas escrita à mão por uma menina de 9 anos e questionou a autora: "O que pensas disto?"

A menina respondeu que já brinca com novos amigos e que gosta de ali estar.

Mais moderados estiveram outros moradores de outras idades que embora tristes nunca se queixaram e informaram o Presidente que já tinham eletrodomésticos.

Marcelo Rebelo de Sousa deu esperança, acarinhou e tirou fotografias a quem lhe pedia e abraçou Carlos Pereira, um desalojado da freguesia do Monte e que hoje completou 56 anos.

"Quem aqui esteve e viveu percebe como há uma capacidade vital e de olhar para o futuro", disse depois aos jornalistas Marcelo Rebelo de Sousa no final da visita.

Em seguida, o chefe de Estado, acompanhado do presidente da câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, observou o estado que ficaram alguns dos 11 edifícios que arderam na baixa do Funchal, no centro histórico de São Pedro, na sua maioria estabelecimentos comerciais.

Nesta zona, o Presidente viu ouviu algumas ideias por parte do arquiteto coordenador do gabinete criado para pensar a reconstrução, Paulo David, nomeadamente de convocar universidades portuguesas e estrangeiras para este processo.

Reunião com presidentes de Câmara

Marcelo Rebelo de Sousa está esta noite reunido no Funchal com todos os presidentes de Câmara dos concelhos afetados pelos incêndios que deflagraram na segunda semana de agosto e que deixaram 233 famílias desalojadas.

"Esta noite toda, enquanto estiverem a descansar, estou a ter reuniões com a senhora ministra [da Administração Interna] e com as câmaras municipais e depois haverá [uma reunião] com o Governo Regional [da Madeira]", anunciou o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa fez esta declaração aos jornalistas após uma visita a 16 famílias que se encontram temporariamente a residir na zona da Cancela, perto do Funchal.

O chefe de Estado chegou ao final da tarde de hoje ao Funchal para uma visita de três dias à Região Autónoma da Madeira

Marcelo Rebelo de Sousa começou por prestar homenagem aos mortos junto ao Monumento ao Combatente, percorreu a pé o interior do regimento, tendo observado os tipos de equipamento militar ali existentes e inaugurou ainda uma unidade de saúde militar.

Na apresentação da unidade de saúde, o comandante da Zona Militar da Madeira, Rui Clero, anunciou que a mesma poderá vir a prestar apoio à PSP e à GNR, palavras que dirigiu à ministra que tutela as polícias, Constança Urbano de Sousa.

A visita ao Regimento de Guarnição n.º 3, que nos dias dos incêndios que assolaram a ilha albergou cerca de 900 pessoas, durou mais de uma hora.

A acompanhar o chefe de Estado estiveram, entre outros, o Representante da República, Irineu Barreto, o Chefe de Estado-Maior do Exército, José Rovisco Duarte, a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, o secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello, o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque e o presidente da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Cafôfo.

O Governo Regional da Madeira avaliou em 157 milhões de euros as necessidades para fazer frente aos prejuízos causados pelos incêndios, informou na sexta-feira o secretário regional das Finanças e Administração Pública, Rui Gonçalves. O governante madeirense revelou também que 62,5 milhões de euros já têm financiamento garantido.