Marcelo Rebelo de Sousa entende que o grande desafio do momento é que haja equilíbrio na vida política portuguesa, “sem revanchismo, sem vingança”. 

Lembrando a data que se assinala esta quarta-feira, o 25 de Novembro de 1975, que pôs termo ao Processo Revolucionário em Curso (PREC), o candidato presidencial sublinhou que os acontecimentos daquele dia não foram “uma segunda volta do 25 de Abril” de 1974, mas “o completar do 25 de Abril”.

“Foi o triunfo do equilíbrio sem vingança, sem revanchismo. Eu penso que esse é o grande desafio do momento presente. É o equilíbrio da vida política portuguesa para que todos os portugueses se sintam representados no poder sem segunda volta, sem revanchismo, sem vingança. É a atual situação de alguma maneira muito semelhante aquilo que se vivia há 40 anos”, afirmou, citado pela Lusa, no final de uma intervenção à porta fechada no Conselho de Presidentes da Confederação dos Agricultores de Portugal, que decorre num hotel em Tomar, no distrito de Santarém, no âmbito das comemorações dos 40 anos da CAP.

Questionado sobre a declaração do PSD, de que não irá apoiar o Governo de António Costa caso venha a ser necessário, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou a mensagem de que é importante que no momento atual se repita “o triunfo de uma democracia em que cabem todos, inclusiva, mas equilibrada, em que todos estão presentes no poder”.

“Esta é uma mensagem que é fundamental e aqui, numa reunião da CAP, 40 anos depois, temos de saber perceber a lição do 25 de Novembro, que é de equilíbrio, sem vingança. O 25 de Novembro não foi a segunda volta do 25 de Abril, foi o triunfo de uma democracia em que cabem todos, inclusiva, mas equilibrada, em que todos estão presentes no poder. Foi assim naquela altura, é bom que seja neste momento a mesma coisa”, frisou.

Marcelo Rebelo de Sousa escusou-se a comentar a composição do Governo liderado por António Costa, afirmando que, se vier a ser Presidente da República, irá conviver com esse Governo.

“Se for essa a vontade dos portugueses, e vier a ser Presidente da República daqui a três meses […] não formulo a minha opinião sobre o Governo com o qual vou ter de conviver"


Questionado sobre se, caso seja eleito, tem o trabalho facilitado com a indigitação do Governo, Marcelo insistiu que o Presidente da República tem que ser “um fator de equilíbrio, sem vingança” e os portugueses têm que se sentir “todos representados”.