Marcelo Rebelo de Sousa deixou de ser comentador político e está na corrida a Belém, mas não deixou de gostar do comentário político e, por isso, não resistiu a ligar a televisão no domingo. Esta segunda-feira, assumiu que está a perder um grande momento como comentador.

“Ontem à noite [domingo] não resisti a ligar a televisão para ver o que passava nos vários canais à hora em que normalmente eu comentaria. [Estou a perder] um grande momento como comentador político”


Em Óbidos, onde participou numa “conversa de bolso” com Ferreira Fernandes, no âmbito do programa do Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos, o candidato à Presidência  facto de ser candidato à Presidência da República, assumiu ainda que "se fosse comentador político", haveria "muita coisa para falar", mas hoje remeteu-se a tecer considerações sobre “o folhetim político” de José Ferreira Fernandes, o livro “As eleições que ninguém queria ganhar”, para contornar a impossibilidade de comentar o atual momento político.

Aludiu à obra para sublinhar que “teria escrito o mesmo que ele escreveu em agosto”, data em que “premonitoriamente” escreveu que a coligação PSD/CDS-PP precisaria do PS para formar Governo, mas que o PS teria a possibilidade de fazer coligações à esquerda ou à direita.

“Este é de facto um momento muito difícil para os protagonistas políticos e muito interessante para os comentadores. Está-se perante um momento na Europa e em Portugal, com uma confluência muito singular”.


Marcelo disse ainda, segundo a Lusa, que a afirmação seria do comentador, já que “para os protagonistas políticos há um grau de responsabilidade naquilo que dizem ou não dizem e nas escolhas que têm que fazer, que é uma responsabilidade muito pesada”.

Marcelo deixou algumas críticas à forma como decorreu a campanha eleitoral, afirmando que a obra ficcionada por Ferreira Fernandes “podia ser verdade”.

O candidato, que respondeu a questões da assistência durante mais de duas horas, terminou reiterando o pedido ao autor para que “escreva um folhetim sobre a campanha da presidenciais”, repetindo a proeza de “fazer crítica com humor” e conseguindo prever os resultados eleitorais.

O Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos é uma iniciativa a que prevê “um sucesso galopante”, por reunir “um local especial, nomes sonantes da literatura e por ser uma obra sustentada numa vila onde há uma rede de livrarias”.

Organizado em cinco capítulos (Folia, Folio Autores, Folio Educa, Folio Ilustra e Folio Paralelo), o festival será palco, até ao dia 25 de outubro, de lançamentos de livros, debates, mesas redondas, entrevistas, sessões de autógrafos e conversas (improváveis, segundo a organização), entre cerca de uma centena de escritores e os leitores.